segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capítulo 8 - Fear and Love


  A pouca cor ainda presente em meu rosto se esvaiu e foi substituída pela palidez do pânico e do medo.
_ Matt, sou eu, abra a porta, depressa! _ berrou Emily, enquanto batia desesperadamente na porta.
  Os degraus sumiram sob meus pés e, por sorte a chave ainda estava na porta. Girei-a e abri a porta, Emily entrou num rompante chorando e gritando e no lugar onde ela estava surgiu um vampiro, com as presas à mostra. Sua expressão era feroz, faminta e a única coisa que o impedia de destroçar o meu pescoço era a soleira da porta. Ele tinha os olhos mais vermelhos que eu já vira, ele era loiro, extremamente pálido e com um rosto fino que em conjunto com o resto fazia com que ele exalasse sua letalidade.
  Vendo que não conseguiria atingir seu objetivo, ele urrou com fúria e esmurrou a parede que circundava o batente deixando a marca de seus punhos na parede sólida.
  Só consegui fechar a porta e cai de joelhos sobre o carpete. Então, pude ver Emily encolhida no canto oposto da sala, tremendo e chorando aterrorizada pelo que acontecera. Eu corri para ela e perguntei:
_ Você está bem? O que aconteceu?
 Entre soluços e crises de choro ela me disse:
_ Eu estava indo para casa, quando uma pedra atingiu o pára-brisa do meu carro. Sem conseguir ver nada consegui ir de ré o mais próximo que eu podia daqui, até que ele investiu contra o carro fazendo-o o rolar pelo barranco perto da curva _ Enquanto ela falava pude ver um pequeno filete de sangue escorrendo pela sua testa _ Eu corri para fora do carro, instintivamente, até aqui. Acho que ele não deve ter me visto sair do carro e agora o estofado do meu carro está espalhado pelas árvores. E o resto você viu.
 _ Mas como ele conseguiu te ver? Não que eu não tenha ficado extremamente aliviado com isso, mas eles não têm sentidos aguçados e toda aquela história?
 _ Sim, eles realmente têm, mas esse devia estar realmente sedento e com os sentidos confusos.
 _ Eles estão atacando qualquer um agora em áreas povoadas cheias de gente espiando pelas janelas?
 _ Matt, nós somos umas das raras pessoas que sabem sobre eles, é obvio que nos tornamos alvos. E ele era um vampiro jovem, por isso os olhos tão intensamente vermelhos e a completa falta de razão. Isso nunca aconteceu comigo antes, me desculpe pelo pânico.
 _ Tudo bem. A propósito, sua pedra funciona, mas você podia ter me avisado de que ela tentaria me queimar. _ Ela riu com o comentário _ Aliás, o que é aquilo?
 _ É uma simples corrente de prata com uma pedra polida e embebida em sangue de vampiro. Aí está o segredo dela.
_ Eles têm sangue? _ perguntei em um tom que me soou extremamente pueril.
_ Sim, dizem que possui propriedades exóticas, mas principalmente reagem com a aproximação de outros vampiros. Por isso é raro o convívio em grupo, diante dessas reações. É bem útil para detectar se eles estiverem por perto. Quanto mais quente e vermelha, mais próximos eles estão. Eu também uso uma, mas como conselho, não a deixe exposta, pode causar perguntas as quais não podemos responder.
_ Entendi, agora me deixe pega um kit de primeiros socorros para cuidar dos seus machucados.
_ Obrigada _ ela disse, grata _ Ah, e além da pedra, sempre procure um lugar ensolarado. Eles são vulneráveis a luz.
_ Nessa cidade será meio difícil achar sol, mas eu me lembrarei disso _ então uma dúvida surgiu na minha cabeça _ Se eles são vulneráveis como Violet sobrevive no sol?
_ Realmente é uma incógnita...
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 Alguns dias se passaram sem que nada substancial ocorresse. Nossa rotina fora quebrada. Agora não podíamos mais sair depois que anoitecesse porque a precaução e o medo nos consumiam, mas era extremamente difícil convencer James a não fazê-lo já que não podíamos dizer nada a ele.
 Na escola, não havia nada de novo também, a visão de Violet se tornara cada vez mais rara, o que me fazia lembrar constantemente da minha existência patética e deprimente.
 Emily e eu estávamos unidos, nunca a vida de um dependera tanto da do outro, e estávamos sozinhos nisso.
 A vida nunca fora fácil, mas nunca fora tão difícil também. Eu ainda tinha minha obsessão por Violet, mas agora o medo se interpunha a ela, e eu estava confuso.
 Ela nunca fizera nada para mim especificamente, mas quem sabe o que poderia ocorrer agora, diante do que descobrira.
 Até que em uma quinta-feira fria, úmida e extremamente nublada eu pude ver a silhueta perfeita de Violet avançando em direção a vaga em que eu estava no estacionamento, logo após o termino das aulas.
 A pedra em meu peito começou a esquentar, mas dessa vez me precavi e a coloquei por cima de uma outra blusa, entre  um moletom e outro para que não me queimasse de novo. Todo o medo, o receio e a atração afloraram naquele momento fazendo uma mistura de emoções que eu nunca vivenciara antes.
 Ela estava a poucos metros, vindo com seu rosto magnífico acompanhado do seu corpo de bailarina e seus passos suaves. Aproximando-se ela disse:
 _ Oi _ ela disse constrangida _ me desculpe por aquela noite. Eu fiz o que era o melhor para você, mesmo você não entendendo.
 _ Agora eu vejo as coisas de uma outra maneira Violet. Descobri muitas coisas desde o nosso último encontro, e agora eu entendo o que fez.
 _ Emily teve ter te mostrado muitas coisas para sua opinião ter mudado tanto. E sim, eu sei sobre ela assim como ela sabe sobre mim. Mas eu não pretendo fazer nada a ela, aliás, a acho muito agradável. É uma pena que ela não pense o mesmo sobre mim – finalizando sua frase, ela riu docemente.
 _ Aparentemente todos sabem sobre todos. A propósito, preciso perguntar algo pendente há certo tempo. Você tem alguma relação com a morte de Susan? Mesmo se tiver, não importa, agora entendo as suas “necessidades”.
_ Vindo de você isso me decepciona um pouco. Você acha que se eu tivesse algo a ver com tudo isso e fosse esse tipo de assassina, você teria saído vivo da clareira? É claro que não fiz nada, não me alimento de pessoas no meio da multidão._ disse ela, o que me soou como uma conversa muito estranha _ E como você deve ter percebido, eu não sou a única da minha espécie na cidade, e eles não são tão “inovadores” como eu.
_ Sim. A maioria dos vampiros não se importa em raptar a primeira pessoa que vêem pela na rua para se alimentar caso estejam com sede. Eu e algumas outras exceções nos alimentamos apenas de animais e alguns tipos de pessoas, como prisioneiros condenados a morte, pessoas feridas de maneira terminal que achamos por aí, e quando a” comida é escassa temos que utilizar os bancos de sangue. Não deixa de ser um crime, mas ajuda na nossa consciência.
 _ Tudo bem _ me senti em um mundo paralelo, mas de certa forma ela estava certa _ Mas eu ainda não entendi completamente por que você desapareceu entre as arvores naquela noite.
_ Porque não era seguro para nenhum de nós dois ficarmos juntos. Eu só fugi porque eu fiquei abalada com o que você disse, mas com o tempo percebi algo. Você se tornou minha obsessão também Matt Lewis, e talvez eu me arrependa disso depois, mas eu não me importo agora.
  E então docemente, ela me beijou.

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