segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capítulo 3 - Violet's Eyes


    Depois de ter me secado e estar devidamente vestido, desci as escadas e fui até a cozinha, onde o cheiro de lasanha se alastrara pela cozinha e fazia meu estômago se contorcer e me lembrar da minha fome. Peguei o prato, sentei em meu habitual lugar no sofá e liguei a televisão em um canal que transmitia as notícias mais tediosas que eu já vira, mas estava tão entretido com o meu prato que nem me importei. Terminei minha comida, limpei a cozinha e assim como eu esperava a campainha tocou, e ao abrir a porta me deparei com Emily e James em suas usuais roupas. Ela, com botas pretas de cano alto, um sobretudo preto e um conjunto de acessórios que realçava seu cabelo preto levemente arruivado e sua personalidade explosiva e fúnebre. James usava roupas coloridas, porém discretas compostas por moletom, calça e tênis de cores ligeiramente destoantes. Eu calcei meu coturno que ornava, para variar, com meu usual moletom preto, e minha calça jeans.
  Saímos para a noite fria e entramos no meu carro. James foi conduzindo e Emily ao seu lado, portanto me sobrara o banco traseiro.
Vagamos um pouco pelo pouco território da cidade, com seu pequeno litoral e pouco entretenimento disponível. Por fim, nos dirigimos ao único lugar popular entre os jovens da cidade, um bar, que funcionava mais como ponto de encontro do que como bar realmente. O lugar era chamado Eagle’s Shore, por se localizar perto da única praia gélida da cidade. Não havia muito que se fazer lá, exceto se sentar sob a luz das luminárias antigas, beber, comer alguma coisa e jogar sinuca com os habituais freqüentadores do local. Chegaria a ser deprimente, não fosse o fato de que os jovens estudantes da cidade nos últimos anos fizeram com que o nível do lugar melhorasse muito.
   Nos três nos sentamos em uma mesa em um canto e ficamos observando a aglomeração começar a se formar e os rostos foram se tornando mais familiares.Chamamos a garçonete, Susan, que já nos conhecia e pedimos algo para comer, mais especificamente a melhor coisa daquele local, fritas, as quais comíamos vagarosamente. De nossa mesa pude ver Sarah e suas novas amigas, os esportistas do colégio, os artistas, dentre outros grupos formados na escola que denotavam uma imensa separação entre os grupos, a propósito o meu “grupo” e de meus amigos não tinha uma denominação especifica, éramos praticamente invisíveis.
   As janelas embaçadas não permitiam que pudéssemos ver através delas e o ambiente lotado começou a ficar abafado e barulhento. A sobriedade dos frequentadores já começara a se extinguir quando resolvemos sair do local e nos aventurar novamente no tempo frio e costeiro. Pagamos a conta e enquanto nos encaminhávamos para a porta, um grupo aos gritos irrompeu no local. Todos ali estavam com uma expressão desesperada e assustada. Violet estava nesse grupo e percebi que ela não estava assustada como todos os outros, parecia mais desconfortável, acuada e ligeiramente perplexa do que propriamente desesperada.
    O bar silenciou-se e ao sairmos para checar o que aconteceu, lá estava, estirada no estacionamento, Susan, a garçonete que nos servira, aparentemente inconsciente com o pescoço dilacerado e perdendo muito sangue.
   Procurei por Violet em meio àquele alvoroço e só pude vê-la de relance, correndo dali. Deixei meus amigos para trás e corri atrás dela. Ela chegou ao seu carro e enquanto arrancava com ele dali, ela me encarou através do vidro por um instante, um olhar lancinante e agressivo, como o de uma fera acuada. Enquanto ela desviava seus olhos dos meus, pude ver um brilho avermelhado em suas íris. Um brilho sedutoramente letal.

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