segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capítulo 12 - Look who came to dinner


 Eu demorei um tempo até recuperar totalmente os meus sentidos. Emily estava alerta, preparada para qualquer eventual ataque. James estava abobado, assim como todos os outros no corredor. Violet estava possessa, ela dizia:
_ Droga. Maldita. Como essa vigarista me achou? _ ela havia perdido a sua calma e controle habitual.
 Ela socou um dos armários que estavam atrás de nós, que se entortou sobre o peso da sua força sobre-humana. Eu sussurrei em seu ouvido:
_ Acalme-se, lembre que você ainda está no corredor cheio de gente _ enquanto eu dizia isso, Emily desamassava o armário sem ninguém notar.
 A garota entrou em sua sala, e todos despertaram do transe que a sua presença trouxe. Violet só faltava espumar ao meu lado. Nós quatro nos sentamos no fundo da sala. Era uma aula dupla, então tínhamos tempo para conversar. James dormiu nos cinco primeiros minutos de aula, o que nos deu privacidade para conversar. O professor estava lecionando algo completamente desinteressante sobre as maiores planícies do mundo. Tudo estava como o habitual, exceto pela tensão entre nós.
 Arranquei uma folha de meu caderno e passei um bilhete para Violet.
_ Quem era ela? _ eu escrevi.              
_ Aquela era minha “irmãzinha de criação”. Ela também fora transformada por Remus. Logos após que fui raptada, ela também foi. Seu nome é Juliet. Vivíamos no mesmo povoado, só que eu não deveria ter sido seqüestrada. Eu tinha conseguido um meio de fugir, só que ela me delatou aos Anziani, pois ela achava que ela, a plebéia, seria seqüestrada, todas deveriam ser também. Aquela idiota. Mas me transformaram antes do que ela, ela permaneceu por um tempo como “alimento” para eles, e depois a transformaram também. Ela tornou minha vida um inferno. O tempo em que fui escrava também se deu por causa dela. Ela vivia atrás de mim, me seguindo, delatando cada falha e cada tentativa de fuga. Como eu disse, eu era parte da corte, e ela conseqüentemente me servia, e perturbava todos ao seu redor. Deve ser a sina daquela maldita. Mas eu não sei o que ela pode ter vindo fazer aqui !
_ Ela tem um colar como o seu também? _ Emily perguntou no bilhete.
_ Eu realmente não sei, desde quando fugi dos Anziani não tive contato com ela. Pelo menos naquela época nenhuma de nós tinha um colar. Você não tem como investigar algo a respeito?
_ Só um minuto _ Emily respondeu.
 Ela debruçou-se sobre a mesa, julguei que ela estivesse fazendo algo. O professor já havia mudado o tempo para a hidrografia dessas regiões que eu não me preocupava em saber. Emily levantou a cabeça, puxou o bilhete da minha mão e escreveu:
_ Eu não consegui entrar na mente dela, está bloqueada por algum feitiço poderoso de outra bruxa, ou ela tem uma habilidade nata de dissimulação. Mas ela está usando um colar como o seu, Violet.
_ Droga, então ela pode causar problemas mesmo na luz do sol.
_ Precisamos confrontá-la _ Emily escreveu _ Depois da aula cercaremos ela. Precisamos de algumas respostas.
_ Ela é poderosa, Emily _ Violet respondeu _ Precisamos ter cuidado.
_ Pode ser, mas você também é uma vampira e eu sou uma bruxa. Acho que isso conta alguma coisa.
_ Obrigado por me incluir _ eu escrevi.
 O sinal soou, o bilhete foi imediatamente esfacelado por Emily. James acordou e não fez perguntas sobre o clima de ameaça que estava sobre nossas cabeças. Seu desinteresse e alienação eram impressionantes. Nas próximas aulas eu estaria apenas com Emily e James. Não pudemos mais conversar, então na saída mantivemos o planos de ir atrás de Juliet. Convenientemente, James tinha que ir embora correndo para casa, pois ele tinha um, compromisso, o qual não nos preocupamos em perguntar o que era, desde que nos deixasse livres para agir.
 Vimos o cabelo loiro de Juliet se movendo até o lado oposto do estacionamento. Ela estava indo para o seu carro, um importado prata e reluzente. Violet estava indo na nossa frente e se certificou de que ninguém ouviria a conversa.
 Ela se postou em frente a porta do carro para que Juliet não se esgueirasse até ela e fugisse.
 _ Olá, há quanto tempo não nos vemos._ Juliet disse _ Devo dizer que você está meio acabada. Continua se privando de sangue, o máximo que pode?
 As presas de Violet apareceram por entre seus lábios, acompanhados de uma espécie de rosnado feroz e punhos cerrados. Juliet também mostrou as suas. Emily olhou ao redor para se certificar de que ninguém nos observava. Na verdade, essa preocupação não era necessária, pois não havia mais ninguém no estacionamento, Eu agradeci à pressa dos alunos em sair da escola.
_ O que você está fazendo aqui? Está aqui a mando de Remus? Diga logo ou você prefere que sua cabeça faça uma viagem aérea ? _ Os olhos de Violet estavam tão vermelhos que se aproximavam de um tom arroxeado. Eu nunca a vira assim, era assustador, mas agora de onde o seu nome viera fazia mais sentido para mim.
_ Acalme-se tolinha! Se você arrancar a minha cabeça, as coisas vão se complicar para você sem que eu nem ao menos mova um dedo. Mas não, eu não vim a mando dele, aquela múmia velha continua detestável como sempre. Ele continua na Itália, escondido na sua toca, onde é alimentado por turistas desavisados. Mas enfim, eu tenho meus próprios motivos para vir aqui. E acho bom que você não se intrometa, ou a sua cabeça irá rolar. E você, bruxinha, não se meta comigo, tenho amigos entre os Anziani, que fariam você virar fumaça em um estalar de dedos.
_ Não me subestime, você não me conhece. _ Emily desafiou.
_ Estou tremendo. _ Juliet ironizou _ Agora por favor Violet, tire esse seu corpinho sem graça da porta do meu carro e eu tenha que usar o seu humano para o meu lanchinho. Estou faminta.
 Eu senti um arrepio na espinha. Violet se moveu, ela parecia tão nervosa, que imagino se ela tivesse a chance de arrancar a porta do carro e esmagar a cabeça de Juliet, assim ela o faria.
 Juliet saiu acelerando pela estrada que levava aos arredores da cidade.
_ Temos que fazer algo a respeito _ disse Emily _ Aquela meretriz está tramando algo e não é nada bom. Definitivamente ela vai pagar por aquela ofensa.
_ Por enquanto não podemos fazer nada _ disse Violet _ Mas se for necessário, precisaremos nos unir e fazer estratégias. Sei que você não aprova isso Emily, mas é necessário.
_ Nós deveríamos ir embora sozinhos? _ eu perguntei _ E se ela nos atacar separadamente?
_ Ela não fará nada _ Violet disse _ Ela iria se expor demais, e como ela acabou de chegar ela não iria querer estragar tudo.
_ Ok, então vamos embora _ disse Emily _ Somo os únicos que restaram aqui.
O estacionamento estava vazio. O vento estava zunindo. O céu, para variar, estava nublado e ameaçava derrubar uma chuva pesada. Aparentemente, essa não era a única tempestade que teríamos de enfrentar.
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 Já era noite, Emily e Violet estavam na minha casa. Meus pais me ligaram avisando que estariam aqui na próxima semana, e eu mentira que tudo estava bem, calmo como sempre.
 Discutíamos o que iríamos fazer. Violet contou novamente o que havia escrito no bilhete com maior riqueza de detalhes, mas que não nos forneceu nenhuma informação relevante.
_ Então, o que faremos com Juliet? _ perguntou Emily _ Ateamos fogo, transpassamos o coração com uma estaca, ou outra coisa?
_ Calma aí, Rambo. – eu disse, e ela me olhou com repreensão, enquanto Violet ria discretamente _ Nos não podemos simplesmente fazer alguma coisa sem ter o mínimo de conhecimento sobre isso. E até onde eu sei nem eu, nem você matamos um vampiro alguma vez.
_ Ok. Você está certo. Então, o que faremos?
_ Em síntese, o que Emily falou não está errado _ disse Violet _ Mas, não é tão simples executar isso. Em primeiro lugar, o fogo seria a maneira mais eficiente, mas isso pode chamar mais atenção do que desejamos além de não ser tão fácil assim transformar um vampiro em uma pira. E sobre transpassar o coração, não é tão simples também, já que nossa pele é marmórea, e reforçada na região do coração, justamente para evitar ataques. Então, não podemos usar apena a força, ou, no caso, magia e coisas pontiagudas.
 Já estava escuro lá fora, a torrente de água que despencava do céu fazia muito barulho, acompanhado de trovões e relâmpagos. Emily e eu havíamos pedido pizza, mas eu duvidava que o entregador viesse com essa chuva. Eu percebera que Emily estava bem menos desconfortável com Violet e isso melhorou um pouco meu humor. No entanto, ficamos mirando os respingos de chuva na janela, sem idéia alguma para compartilhar e muito menos alguma decisão efetiva sobre que caminho iríamos tomar em relação à Juliet.
 Então, em meio ao barulho torrencial, ouvimos o barulho da campainha, que parecia distante.
_ Uau, o entregador deve ter vindo _ disse Emily _ Pode deixar que mesma atendo.
 Ela vagarosamente foi até a porta e a abriu. Eu apenas ouvi um grito e pude ver Emily sendo arremessada pela sala e se chocando na parede oposta, derrubando todos os retratos pendurados ali. Ela ficara inconsciente. Violet já havia sacado suas presas enquanto, assustados, íamos para a porta.
 Antes mesmo de alcançarmos a porta, vi a familiar figura loira de Juliet cruzando o portal e se dirigindo até onde Emily estava. O vampiro loiro que atacara Emily estava parado na varanda, e por algum motivo não entrou junto com ela.
 Ela virou o corpo de Emily com os pés, abaixou-se até os ouvidos dela e sussurrou audivelmente:
_ Você não deveria ter se metido comigo, pirralha.
 Ela se virou até ficar de frente pra nós e disse, com um sorriso iluminado no rosto, observando nossas expressões cheias de tensão:
_ Surpresa! O que foi? Não gostaram da minha visita?
E nos deu o seu temível sorriso malicioso.

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