Depois de um quase ataque cardíaco, me virei e vi, o que poderia ser a mais maravilhosa miragem existente. Violet. Ela estava vestida de maneira tão simples, que nem de longe fazia jus à sua beleza exuberante, mas de forma alguma a ofuscava. Enquanto me certificava de que não pareceria um idiota ao responder sua pergunta, ela me fitava serenamente, como se eu fosse a coisa mais interessante que ela já houvesse visto.Tentando não gaguejar, eu disse:
__ Claro, é a segunda sala virando o corredor à direita... Se você quiser posso te acompanhar até lá.
Não acreditando em exatamente como eu havia dito isso sem nem ao menos parecer ridículo, esperei sua resposta. Alguns segundo que me pareceram séculos, então ela disse:
__ Seria ótimo. A propósito, sou Violet Jones. Prazer em conhecê-lo.
__ Sou Matt. Matt Lewis. Prazer em conhecê-la também.
Após um breve momento de constrangimento sem motivo, nos dirigimos à sala de álgebra juntamente com Emily e James que, apesar de não estarem no mesmo horário que o nosso, nos acompanharam até a nossa sala, já que a deles se localizava algumas salas depois. Entramos na sala e nos sentamos em nossos respectivos lugares que para minha infelicidade eram bem distantes um do outro. A aula esvaiu-se em devaneios e contas intermináveis até que o sinal tocou e os alunos fugiram da sala de aula como se fosse a própria visão deles de inferno.
Eu procurei por ela, mas aparentemente ela já havia saído, em velocidade recorde na minha opinião. Na saída me encontrei com Emily e seu inseparável namorado logo que sai do prédio da escola. Enquanto Emily praguejava algum tipo de maldição sobre o professor de Física que lhe dera um F, e James tentava controlar de alguma maneira aquela pessoa impetuosa e feroz, eu procurava por Violet em vão, procurando seu sedan reluzente dentre os que ainda restavam no estacionamento. Despedi-me de meus amigos, sabendo que provavelmente eles acabariam passando em minha casa ao entardecer para o nosso habitual passeio de carro pelos cantos cinzentos de Eagle’s Cove e eu provavelmente teria que inventar alguma desculpa por estar falando tão pouco e estar tão pensativo.
Dirigi até minha casa, e encontrei a casa vazia assim como esperava. Nada incomum para alguém cujos pais viviam viajando a negócios e passavam muito pouco tempo em casa, o que de certa forma me agradava quando não estava muito propenso a conversas. Abri a geladeira, peguei a minha diária lasanha congelada, coloquei-a no microondas e fui para o banheiro tomar banho e trocar de roupa. Enquanto a água quente caía sobre o meu pescoço percebia o quanto minha vida parecia pateticamente descartável quando ela não estava presente. O que continuava a me afligir era o porquê de ela me encantar tanto e por que eu me iludia pensando que a garota mais fantástica daquela escola poderia se interessar por um simples e comum adolescente, praticamente sem atrativos e que nada fazia além de se iludir ao seu respeito. Continuei nesse devaneio até o bipe do microondas me despertar e perceber que o banheiro estava imerso em vapor.
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