domingo, 24 de outubro de 2010

Capítulo 15 - Memories

 Eu parei o carro no acostamento. Não tinha certeza do que estava fazendo, mas abri a porta e me dirigi até ele.
_ James? James é você? _ eu perguntei me aproximando.
 Ela estava sugando cada gota de sangue da pessoa abaixo dele. Reconheci-a como sendo um dos andarilhos que freqüentemente estavam pelas ruas da cidade.
 De repente, ele ergueu novamente seus olhos para mim, parecendo dois rubis lampejantes, e sua pupila era pulsante. Eu me retesei e o chamei novamente. Ele urrou, mostrou suas presas para mim e avançou em minha direção. Ele ia me atacar. Tentei correr de volta para o carro, mas antes que pudesse sequer me mexer, fui atirado ao chão. Ele estava prestes a fincar suas presas em mim, mas antes que o fizesse Juliet surgiu e disse com indiferença:
_ Não faça nada James _ e ele parou imediatamente _ Ele e Violet merecem uma morte muito pior. E eles são meus.
_ O que você fez com ele? _ eu perguntei me levantando
_ Eu concedi a ela uma benção. Enquanto sua amiga dormia no quarto dele no hospital, eu misturei um pouco do meu sangue ao que ele estava recebendo. E o sufoquei com o travesseiro, mas antes, é claro, adulterei os aparelhos. Então, quando ele se transformou fugiu de lá com o meu auxílio. Vocês não podem me parar, conformem-se ou morram me desafiando. Ele é meu agora, portanto não se metam.
 Ela agarrou James pelo pescoço e o arrastou floresta adentro junto com o corpo do andarilho. Eu corri até o carro, me tranquei lá dentro, consciente de que não fosse adiantar nada caso quisessem me matar, e liguei para Violet.
_ Vee, onde você está?
_ Desculpe eu ter saído sem falar nada, eu achei que poderia encontrar Juliet a tempo, mas falhei. Agora estou indo para o hospital. Você já chegou lá? Alguma notícia?
_ Bom, eu fui interceptado por Juliet, mas estou bem _ quando percebi algumas lagrimas rolavam pelo meu rosto ­­_ James foi transformado, nós o perdemos. Para sempre.
  O telefone permaneceu mudo por um tempo, até que Violet interveio e disse:
_ Vá agora para o hospital e pegue Emily, vá para minha casa. Ou fazemos algo ou estamos todos condenados a morte.
   Dentro de pouco tempo cheguei ao hospital, Emily estava me esperando lá fora, Violet já avisara que a buscaria.
 Os olhos dela estavam vermelhos e inchados. Eu não disse nada a ela, apenas contei que Violet tinha descoberto algo e que deveríamos ir à casa dela, o que ela não gostou muito.
 De novo, dirigi pela estrada até os arredores da cidade. Emily permaneceu calada o percurso todo até a casa de Violet.
 Instalamos-nos na sala confortável e esperamos Violet descer. O clima estava pesado. Emily quebrou o silêncio.
 _ Ele virou um vampiro não é? _ ela perguntou quase chorando.
 Eu fui até ela e a abracei. Ela não precisou de uma palavra minha para entender. Ela permaneceu firme, mas vi que estava arrasada. Ela era absurdamente forte.
_ Foi por isso que viemos aqui? _ perguntou ela
_ Não sei, Violet não me disse nada.
 Violet desceu as escadas e se dirigiu a Emily, e para minha surpresa e a de Emily, ela a abraçou também.
_ Eu sinto muito pelo que ocorreu _ disse Violet
 Emily retribuiu o abraço, chorou e cheguei a conclusão de que o mundo estava realmente confuso.
 Violet também chorava. Ela limpou as lágrimas vermelhas de seu rosto e se recompôs.
_ Juliet cruzou todos os limites. Precisamos de medidas drásticas.
_ Vee, o que nós podemos fazer? Ela já mostrou que tem armas suficientes para nos matar _ eu disse.
_ Digamos que eu tenha conseguido reforços, mas há assuntos mais oportunos agora. Há algo que Emily pode fazer, exatamente agora. _ ela sacou um pequeno embrulho do bolso e o deu para  Emily _ Este colar pertencia à bruxa que fez o meu colar, e ela armazenou muita energia e conhecimento nele, e eu gostaria que você o usasse.
 Era um colar com uma grande pedra sextavada, cor de topázio.
_ Obrigado _ disse Emily. _ Mas não entendo como posso usá-lo para nos ajudar exatamente agora.
_ Bom, além de armazenar energia e conhecimento, ela também armazenou suas memórias. E você pode acessá-las e compartilhar com a gente. É uma forma de entender um pouco do meu passado e de Juliet.
 _ Tudo bem, mas como isso funciona? _ perguntou Emily, se interessando.
_ Eu não sei exatamente como funciona, mas creio que seja o mesmo principio de conexão que você usou quando ouviu minha “conversa mental” com Matt. E, claro, precisamos unir as mãos para compartilhar as memórias.
 Emily concordou e colocou o colar em seu pescoço. Nos demos as mãos e ela começou a se concentrar, e nos pediu o mesmo. Eu permaneci olhando para Violet, sentindo o toque frio de suas mãos até que a imagem que eu via se turvou e tudo ficou escuro. Minha consciência do mundo real havia sumido. E como se abrisse os olhos novamente, uma nova imagem se formou.
 Eu via uma ampla campina de relva esverdeada. O sol estava alto, mas propiciava um calor confortável. Havia um muro de pedra a frente, que cercava o que parecia ser um vilarejo. A pessoa que transportava nossa consciência avançou até um pequeno lago onde ela se olhou. Apesar da imagem borrada, podemos ver que ela era magra, tinha longos cabelos ruivos encaracolados que lhe caiam pela cintura. Ela trajava uma roupa tipicamente romana, uma toga branca. Ouvimos alguém chamá-la. Aparentemente seu nome era Katherine. Quem a chamava era uma bela garota que vinha em sua direção. Era Violet. Ela era bem diferente do que é agora. Seu cabelo ondulado chegava até a sua cintura. Sua face era corada e tinha um tom suave, seus olhos esmeralda eram vívidos e brilhantes. Não havia palidez, nem olhos vermelhos, nem presas. Ela era viva e feliz.
 Com sua roupa esvoaçando, também uma toga apenas diferente da de Katherine em alguns adornos dourados, ela correu até Katherine.
_ Katherine _ ela disse _ Já vão começar o conselho, vamos, depressa!
  Ela sorriu para Violet e ambas correram até o muro de pedra e entraram por um grande portão de estacas de madeira guardado por soldados com lanças. As casas eram pequenas com paredes rústicas se amontoavam enquanto permeavam uma rua bem grosseira composta de blocos de pedra toscamente assentados. Havia várias pessoas sérias pelas ruas se dirigindo a algum lugar que eu não conseguia ver direito devido ao aglomerado. As duas continuaram correndo, se esgueirando  pelo meio da multidão e enfim, conseguiram avançar até o suposto lugar do conselho.
 Havia uma grande área aberta, uma praça supus. Havia no mínimo algumas centenas de pessoas, e no centro havia uma construção alta, com colunas onde um homem falava com eloqüência e todos o ouviam com demasiada atenção. O homem parecia alguma espécie de líder e, percebendo apenas agora, todos falavam latim e surpreendentemente entendíamos, já que estávamos todos na mente de Katherine. Um pequeno grupo se uniu a esse homem e começaram a discutir juntamente com a população soluções para os problemas do local.
 Passou um bom tempo da discussão até que uma movimentação estranha começou. Algumas exclamações crescentes começaram. Katherine agarrou o braço de Violet e disse:
_ Não me solte, e corra o mais rápido que puder assim que eu mandar.
 Um vulto branco passou por cima de nossas cabeças e aterrissou junto ao grupo no lugar onde estavam os conselheiros. Ele era pálido, familiarmente pálido. Tinha cabelos escuros que iam até seus ombros em um corte bagunçado e olhos negros intensos. Vestia roupas escuras e pesadas.
 Katherine procurou pelos guardas que, a esse ponto já deveriam estar posicionados nos muros e prontos para atacar. Nos lugares onde eles deveriam estar haviam apenas mais vultos brancos como o que aparecera, seus rostos com sangue e olhando famintamente para todos nós.
 A pessoa junto do conselho começou a falar
 _ Prazer em conhecê-los, meu nome é Remus e devo dizer que não se preocupem. Vocês terão uma morte bem rápida, porém não tão indolor, em especial se resistirem, e por favor, corram isso torna tudo mais interessante.
 As pessoas começaram a correr em alvoroço. As figuras pálidas pularam de seus postos e correram para o aglomerado. A última coisa que conseguimos ver foi Remus destroncando o pescoço do líder eloqüente e em seguida cravando os dentes em seu pescoço.
 _ Agora! Vamos ! _ disse Katherine, arrastando Violet entre a multidão desesperada.
 Elas foram abrindo caminho por entre os rostos em choque e pessoas sendo atacadas. Um vampiro se embrenhou no meio das pessoas e agarrou o braço de Katherine. Com um grito, ela se virou e o arremessou para o meio da multidão através de magia. Violet perguntou com os olhos arregalados.
_ Você é uma bruxa?! _ enquanto ambas corriam freneticamente pelas ruas para a parte mais alta da cidade, onde as construções eram levemente mais sofisticadas.
_ Depois discutimos isso. Agora vamos procurar um lugar para nos esconder. Não podemos fugir, a cidade está sitiada e eles estão cercando os muros.
_ Mas e o resto das pessoas? Meus pais, os criados? _ perguntou Violet.
_ Preocupe-se mais em salvar sua vida. Quanto aos outros, terão sorte se morrerem depressa, acredite. _ disse Katherine arrombando a porta de uma casa e arrastando Violet para um porão.
 Era uma casa comum, e não parecia um lugar muito difícil de encontrar.
_ Mas, por que aqui? _ perguntou Violet
_ Isso não é um simples porão. Há uma rede de túneis ligando as casas da nobreza. Por aqui, chegaremos a sua casa sem nos arriscar e poderemos salvar mais alguém, se essas pessoas tiveram a maior sorte de suas vidas.
  Seguiram pelo túnel escuro, com uma tocha que Katherine fez, iluminando o caminho com uma luz bruxuleante. Após um período considerável de tempo, passando por varias ramificações até chegar a uma que virava à direita e seguiram por ela.
 Saíram no porão da casa de Violet e seguiram acima. Havia um tumulto do lado de fora, mas aparentemente não havia nada ocorrendo lá dentro. O cheiro de fumaça encheu nossas narinas. Elas olharam pela janela e viram uma cena chocante. A cidade baixa estava em chamas, Katherine parecia satisfeita, pois aparentemente ela havia provocado o fogo. Tudo fora sitiado, havia gritos, pessoas correndo desesperadas pelas ruas e, um bando de vampiros que subia para a cidade alta dizimando todos em seu caminho.
 _ Suba _ ordenou Katherine pegando Violet pelo braço e a arrastou escadaria cima até os quartos superiores.
 Entramos em um grande quarto que parecia estar vazio, apenas os móveis espalhados estavam lá. Repentinamente, a cortina se move e surge uma pessoa por detrás da cortina. Era Juliet. Ela também era bem diferente do que é atualmente. Ela possuía seus cabelos louros e os olhos azuis, porém era corada, com um rosto pueril e assustado.
_ Juliet _ gritou Violet e correu para abraçá-la _ Que bom que alguém sobreviveu.
 Mas Juliet não reagiu da mesma forma, ela parecia ofendida por algo que não fora dito ou que não sabíamos.
_ Sobrevivi? _disse Juliet alterada _ Estamos praticamente cercadas por sua causa e você diz que estou salva?
 _ Eu realmente não entendo _ disse Katherine _ Viemos até aqui salvá-la e você ainda se zanga?
_ Realmente você não entende _ disse Juliet alcançando a histeria _ A família de Violet tem perseguido o clã deles há muito tempo tentando expulsá-los da região. Agora eles procuram vingança.
_ Eu não acredito em nada do que você diz _ disse Violet quase chorando.
_ Cale-se garota. Você arruinou minha vida. Ia se casar com quem eu amava e que agora deve estar morto por aí, tive que te servir e o chefe do clã vai matar todos até achar você e transformá-la na esposa dele. Estou cansada de ser colocada em risco ou em segundo plano por sua causa. Você vai me pagar, e bem caro.
 Juliet correu em direção a Violet e ambas se atracaram. Numa manobra rápida, Juliet tomou o controle de Violet e a empurrou rumo a janela, mas antes de Violet cair ela agarrou o braço de Juliet e ambas caíram pela janela, lançando estilhaços de vidro por toda a parte.
 Tudo que pudemos ouvir foi o grito de ambas ao cair e o barulho surdo dos corpos atingindo o chão.
 Katherine correu até a janela desesperada. Ela olhou pela janela e pudemos ver os corpos caídos no chão. Um pouco de sangue pontilhava o chão, mas elas estavam vivas ainda quando o bando chegou até elas.
 Katherine estava paralisada na janela olhando o bando assustador se aproximar. Remus pegou Violet em seus braços, sorriu sinistramente para Katherine e fincou seus dentes em seu próprio pulso, deixando seu sangue correr, e deu-o para Violet beber. Ela inconscientemente sorveu o liquido escuro e em seguida Remus a mordeu e começou a consumir o sangue dela. Ele repetiu o mesmo processo com Juliet enquanto Katherine via tudo aos prantos.
 Então, num piscar de olhos, ouvimos os pescoços de ambas serem partidos. Estava feito. Elas estavam fadadas a eternidade. Katherine começou a correr escada abaixo, pois percebeu que ela seria a próxima, e entrou no túnel, mas antes colocou fogo na casa toda.
 Freneticamente, ela correu pelos túneis, concentrada, para que cada casa sob a qual ela passasse entrasse em combustão. Ela correu até chegar aos portões, saindo de um alçapão em uma das torres de vigia. Ela se esgueirou para fora, sem ser vista e correu para fora da cidade até suas pernas cederem sobre o seu peso.
 Ela olhou para trás, a cidade se tornaram um reduto de chamas que estalavam sob o céu negro da noite. Com a visão desoladora, começou a chorar, vendo que não poderia ter feito outra escolha além de ter tentando dizimar os vampiros, mesmo que isso incluísse Violet e Juliet, afinal elas não eram mais elas mesmas.
 Vultos passaram rapidamente por ela e uma mão fria a agarrou pelo pescoço e a prensou no chão. Era Violet, seus olhos estavam vermelhos e brilhantes, ela estava ensandecida, típico dos recém criados, alem de sua força exacerbada.
_ Bela tentativa _ disse Remus, rindo consigo mesmo _ Você tem talento, mas não achou que realmente pudesse derrotar vampiros milenares com esses truques, não é? _ e rosnou para ela.
_ Remus, deixe-a ir. Ela não nos causou mal algum e ainda levamos as duas “protegidas” dela. Ela não causará mal algum. _ disse um vampiro alto, com os cabelos negros, porem com um rosto próximo de ser benevolente apesar dos olhos rubros.
_ Não pedia sua opinião Dimitri _ disse Remus _ Piedade não é uma característica nossa. Se você adquiriu, então acho que você não seja mais bem vindo entre nós.
_ Então a mate logo e acabe com isso _ disse ele se afastando.
_ Eu não irei matá-la. Tenho maiores planos pra ela. Ela será uma Magjistare _ e Remus riu diabolicamente para Katherine e pegou Violet e Juliet pelos braços _ Vamos embora.
 Katherine gritava e se debatia enquanto Dimitri a levava nos braços logo atrás de Remus.
 A visão se turvou e tudo ficou escuro de novo, aparentemente Katherine desmaiara. A conexão de desfizera.
 Voltamos lentamente à realidade. O rosto de Violet estava marcado de lagrimas vermelhas, então percebi que todos chorávamos diante da cena brusca que víramos.
 Até que nos dispersamos e vimos na parede oposta a que estávamos algo impressionante. Havia letras gravadas na madeira, letras que ainda estavam em chamas, que dizia:
              
                  Me ajude,

K.

_ Meu Deus _ disse Emily
_ Ela está viva! _ disse Violet num tom surpreso mas ainda assim alegre, como que aliviado. _ Mas onde?
_ Digamos que eu saiba onde ela está _ disse uma pessoa surgindo sorrateiramente na porta com um sorriso discreto nos lábios.
Era Dimitri.

domingo, 19 de setembro de 2010

Capítulo 14 - Welcome to the hurricane


   O grito de Emily ainda ecoava pelo quarto. Juliet estava extraindo cada gota de prazer que podia da cena. Eu não sabia o que fazer, o choque ainda me paralisava, mas o ódio e a repulsa crescendo dentro de mim exigiam alguma reação. O grito de Emily cessou e a dor, em seu rosto, se estampou na forma de fúria. Ela não parecia mais ela mesma, pela primeira vez ela deixara de ser sensível, e passara a ser letal.
_ Olhem só, a bruxinha está ficando irritada.  _ disse Juliet com desprezo _ Isso não vai trazê-lo de volta. _ e riu, com orgulho do que tinha feito.
 Eu olhei para Emily e surpreendentemente, ela estava suspensa no ar, seus pés não tocavam mais o chão. Juliet também percebera isso.
 _ Ele pode não voltar, mas eu farei você conhecer o inferno, vadia. _ Emily urrava parecendo estar fora de si.
 Então eu reconhecera, ela estava em transe, como quando demonstrara seus poderes para mim. Num rompante, as paredes começaram a arder sem chamas, sem gesto ou menção alguma de Emily. As chamas estalavam em direção a Juliet que recuava em direção a janela. Imediatamente, a cama voou pelo quarto e obstruiu a janela, também começando a arder em chamas. Eu puxei o corpo ensangüentado de James para perto de mim.
_ Matt _ Violet gritou do lado de fora _ Eu não posso entrar, venham para fora, agora!
 Eu ia gritar de volta para ela, mas percebi que ela não gritara, mas que estava falando dentro da minha cabeça.
_ Como você faz isso? _ eu pensei.
_ Depois. Traga Emily e James para fora agora, antes que Juliet faça alguma coisa ou que Emily consuma a casa toda com o fogo.
_ OK _ pensei _ James está morrendo e Emily em transe.
_ Leve ele pra fora _ disse Emily _ Sim, eu ouvi tudo, agora ande logo.
 Emily cercou Juliet com um circulo de fogo enquanto eu arrastava James para fora. Violet nos esperava na porta.
_ Que bom que você está bem _ ambos dissemos um ao outro, seguido de um breve beijo.
_ Precisamos levá-lo para o hospital. Ele perdeu muito sangue, a vida dele está por um fio. _ eu disse _ E Godric? O que aconteceu com ele?
_ Ele fugiu _ disse Violet _ Eu estava vencendo ele, ia matá-lo, mas ele conseguiu fugir por entre as árvores. Agora não há nada que possamos fazer. E Emily?
_ Acho que ela está lidando muito bem com o problema. Vamos colocar James no carro dele e levá-lo para o hospital. E o seu carro?
_ Eu o deixei na sua casa. Espere, isso é cheiro de gás?
 Então a lembrança do cheiro voltou à minha memória. Quando chegamos, ao checar o andar de baixo, eu o sentira, mas não havia dão importância. Droga. Juliet armara tudo. Ela sabia que Emily agiria daquele jeito.
_ EMILY _ eu gritei _ Ela armou tudo, saia agora.
  Violet agarrou a gola da minha blusa e me jogou no chão, e assim ela o fez também. Fechei os olhos. Então só ouvi o barulho de uma janela quebrando, alguém correndo e o barulho ensurdecedor da explosão.
 Abri os olhos, havia estilhaços da casa por todo o lugar, metade da casa havia explodido e a outra metade estava em chamas. O cenário era desolador, mas eu tive certo alívio ao ver que Emily conseguira sair da casa antes do estrondo e estava jogada no chão, assim como nós. Violet e James também não haviam sido atingidos, apesar de James estar péssimo.
_ Em? Em? Você está bem? _ eu corri até ela.
_ Sem danos físicos. Juliet conseguiu fugir pela janela, além de quase nos matar e mandar a casa de James pelos ares. Ela ainda irá me pagar, e absurdamente caro. Os vizinhos já vão aparecer, vamos levar James para o hospital antes que nossa situação se complique.
 Corremos para o carro de James. Dessa vez Violet e eu fomos na frente e Emily chorando no banco de trás, abraçando o corpo quase morto de James.
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 Estávamos todos sentados no quarto do hospital. James estava deitado na cama, praticamente em coma. Emily estava segurando a mão dele, sentada próxima do monitor cardíaco. Os médicos disseram que ele havia perdido sangue demais e que isso poderia deixar seqüelas, além de sua baixa chance de sobrevivência.
 Além disso, tivemos que pregar uma historia convincente sobre o que acontecera. Aparentemente fora um descuido de James, que faltara da escola por estar com dor de cabeça, que deixara o gás aberto e assim tudo foi pelos ares, sendo ele atingido por algum estilhaço ou pedaço que desmoronou, e felizmente estávamos indo para a casa dele visitá-lo, pois estávamos tão preocupados que ate saímos no intervalo das aulas.
 Os pais de James, que estavam trabalhando na cidade vizinha, estavam vindo diretamente para o hospital. Preferimos que o hospital os contatasse e avisasse sobre o filho e a casa.
 _Em, você deveria descansar um pouco _ eu disse _ Isso tudo foi muito exaustivo pra você.
_ Eu sei, mas eu não quero deixá-lo aqui. E se alguma coisa acontecer a ele? E se ela voltar? Se vocês quiserem ir embora, podem ir, eu cuido dele e lido com os pais.
_ Tudo bem, qualquer coisa ligue no meu celular.
 Então Violet e eu deixamos Emily no hospital e fomos para a minha casa. Meus pais deixaram outra mensagem, voltariam amanhã. Eu não sabia o que faríamos para deixar tudo oculto. Começamos consertando os poucos estragos na porta da frente e na sala. Minha vontade era de desaparecer, sumir até que tudo isso passasse e eu pudesse ficar com Violet e meus amigos sem nenhuma vampira psicopata nos caçando. Seria bom pra variar.
_ Como você conseguiu falar dentro da minha cabeça? _ eu perguntei
_ Bom, assim como Juliet tem poderes extras no colar dela,presumo que eu também tenha. Não é algo que eu entenda muito bem, mas funciona sempre nas horas de necessidade extrema.
_ Entendo. E agora? _ perguntei me jogando no sofá junto com Violet.
_ Eu não faço idéia. _ disse Violet se aninhando sobre mim. _ Eu estou tão confusa e perdida quanto você ou Emily. O que aconteceu com James só confirmou nossas suspeitas da falta de humanidade de Juliet e da nossa vulnerabilidade. Eu ainda não entendo o porquê disso.
_ Eu muito menos. Mas eu não quero saber o porquê, só quero que isso passe. Eu te amo e não quero correr o risco de te perder. _ eu disse e ela me beijou.
 Pela primeira vez em um bom tempo nos permitimos ficar apenas um junto do outro, o que meu estômago fez questão de estragar o momento. Violet me obrigou a comer algo.
 Fiz um lanche rápido, não estava com vontade de comer, apesar da minha manifestação estomacal.
_ Você deveria cuidar disso _ disse Violet apontando um arranhão no meu braço. _ Parece que vai inflamar. Acredite, eu sei quando isso ocorre, o cheiro do sangue muda. _ e ela me deu um sorriso, parecendo como se, se desculpasse pelos seus sentidos aguçados.
_ Obrigado, eu vou cuidar disso. _ eu subi as escadas e limpei o machucado.
_ Matt _ Violet chamou ao mesmo tempo em que o celular começara a tocar. _ É a Emily.
 Eu corri pela escada, peguei o telefone e atendi.
_ Alô, Em, está tudo bem?
 Ela estava chorando desesperadamente e demorou até se controlar. Nesse meio tempo eu já tinha pensado o pior.
_ Ele sumiu _ ela disse _ Eu sai do quarto para tomar um café e quando voltei, ele não estava mais lá. Ela o pegou Matt, nós o perdemos.
_ Emily, acalme-se, vocês checaram o hospital todo?
_ Sim, todo mundo se mobilizou para achá-lo. Os pais dele estão furiosos. Eu tenho certeza que foi ela. Não há rastros, nem marca alguma de que ele saiu andando. Precisamos achá-lo.
_Claro _ eu disse _ Estamos indo, fique calma.
_ Violet _ eu chamei e olhei para onde ela estava.
 Ela não estava mais lá e a porta estava entreaberta.
_ Droga _ eu peguei as chaves do carro para poder ir para o hospital.
 A estrada estava ficando escura, já estava anoitecendo e o crepúsculo banhava as coisas de maneira sinistra.
 Seguindo pela estrada com os faróis ligados, tentava insistentemente ligar para Violet. Vi alguma coisa na beira da estrada e reduzi a velocidade. Aproximando-me, vi que era uma pessoa debruçada sobre outra. Havia sangue, pensei que provavelmente precisassem de ajuda.
 A pessoa acocorada levantara seu rosto e seus olhos vermelhos e enlouquecidos brilharam sob a luz dos faróis. Com as mãos tremulas, eu tentava acelerar, assustado com aquele vampiro alto de cabelos castanhos. Apesar de nunca tê-lo visto, ele me pareceu familiar, e então a verdade me atingiu.
_ James ?! _ eu exclamei.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capítulo 13 - Pain


 Eu ainda estava parado, olhando o corpo de Emily estirado no chão e a face ameaçadora de Juliet.
_ E então, vocês não tem nada a me dizer? Nem uma recepção calorosa, ou um convite para jantar? _ e ela riu maliciosamente.
_ Como você consegui entrar? _ eu perguntei recuando em direção à cozinha.
 Ela gargalhou enquanto Violet se postava entre eu e ela.
_ Eu disse que tinha amigos entre os Anziani, e portanto entre os Magjistare _ ela me mostrou seu colar, feito de uma pedra mesclada de azul e vermelho que eu não reconheci _ Eles me deram essa presentinho, que além de me permitir andar no sol, também permite que eu possa entrar na casa de humanos, sem a menor cerimônia, além de alguns outros privilégios.
 Eu me esgueirava até o balcão para tentar pegar alguma coisa que pudesse ser usada como arma.
_ Garoto, pare de tentar bancar o corajoso tentando alcançar alguma coisa que provavelmente irá ferir mais você do que eu. _ disse ela enquanto se sentava no sofá _ Não vai adiantar. E acredite, será bem pior para você.
_ O que você está fazendo aqui? _ disse Violet.     
_ Eu só vim dar um aviso. Saiam do meu caminho. Eu sei que vocês estão tramando alguma coisa para me atrapalhar, mas eu irei matar um a um antes que vocês sonhem em realizar isso. Considere o que fiz com a pirralha uma amostra ínfima do que eu posso fazer. Ah, e acho que vocês já conhecem o meu fiel servo, Godric. Ele anda bem faminto ultimamente, então cuidado ao andarem por aí.
 Ela se levantou, passou por cima do corpo de Emily e se dirigia à porta. Em meu desespero de pará-la, ou machucá-la, agarrei a primeira coisa que vi, um vaso que estava no balcão e arremessei-o. O vaso atingiu a sua nuca e estilhaçou-se. Ela parou na porta, até que se virou com um grande sorriso sinistro e disse:
_ Eu irei me lembrar disso quando nos encontrarmos de novo. E, a propósito, sugiro que compre uma cerâmica melhor, ou então use uma estaca de uma vez. Até breve.
 Ela bateu a porta, e nós ficamos parados por alguns segundos até a realidade nos atingir novamente. Corremos para socorrer Emily no chão. Ela estava respirando e tinha pulsação. Violet e eu pegamos seu corpo inconsciente e a levamos para a minha cama. Havia um galo em sua cabeça, e enquanto Violet tentava acordá-la eu desci as escadas para pega um pouco de gelo. Ao voltar para lá, ela estava acordada, mas meio entorpecida.
_ Em, você está bem? ­_ eu perguntei.
_ Acho que sim. Minha cabeça dói e parece que fui atropelada por um ônibus, de preferência cheio de gente. Onde está aquela vagabunda? Eu só me lembro de ter sido arremessada por aquela maldita. Ela definitivamente não está na minha lista de amigos. Espero que eu posso acendê-la como quem acende um fósforo e o espera queimar pacientemente.
_ Você nunca controla seu gênio né? _ eu ri _ A coisa está bem pior do que parecia, ela pode entrar em qualquer lugar agora, tem um servo e não tem receio algum em nos matar.
 Ela se ajeitou na cama, colocou o saco de gelo em sua cabeça.
_ É, acho que agora nós estamos definitivamente no olho do furacão e não há abrigo algum para nos esconder _ ela disse e deslizou na cama, se deitando novamente _ Eu realmente vou precisar de férias depois disso tudo.
 Violet e eu rimos, mas sentimos o peso das palavras dela. Nós estávamos mesmo no olho do furacão, e era um realmente grande, devastador.
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 Dormimos todos em minha casa, na sala. Nos revezávamos na vigília, com medo de uma outra “surpresinha” de Juliet.
 O dia clareou, Violet sussurrou em meu ouvido que ela iria até sua casa pegar suas coisas, mas ela voltaria logo. Acordei Emily, e ela permaneceu vigiando para eu me arrumar. Quando desci, Violet já estava lá, e após Emily se arrumar com algumas roupas que Violet trouxera, fomos para a escola.
 O carro de Juliet ainda não estava lá. O dia continuava pesado e tudo parecia mais cinzento. Violet mantinha o seu ar serio e contemplativo.
_ Emily _ Violet disse _ Há alguma coisa que você possa fazer para bloquear os efeitos do colar de Juliet? Não teremos paz enquanto ela puder entrar nas nossas casas.
_ Bom, eu posso pesquisar a respeito, mas não tenho certeza, a magia ali é muito poderosa. Eu precisaria de artilharia pesada, e não sei se já sou capaz de invocá-la.
_ Por favor, se esforce. _ disse Violet _ Essa pode ser a única maneira de retardarmos as ações dela e impedi-la de nos matar.
_ Ok. E sobre Godric? O que faremos com ele?
_ Ele como recém-criado nos oferece perigo, mas ele não é inteligente ou cruel como Juliet, ele é basicamente instintivo. Fique alerta com ele, ele não calculará perigo algum para se alimentar, arriscando até mesmo nosso segredo.
_ Entendi _ dissemos Emily e eu.
 James estava atrasado, mas o sinal soara e tivemos que nos apressar para a aula. Emily estava tensa, alerta a todo e qualquer movimento ou som de seu celular. As duas primeiras aulas passaram vagarosamente, até que saímos para o intervalo e Emily imediatamente ligou para James e colocou no modo viva-voz para que pudéssemos ouvir também.
 O telefone tocou algumas vezes, enquanto isso nos movemos para o canto mais isolado da escola.
_ Alô _ disse James.
_ Oi Jim, somos nós. Você está bem? Por que não apareceu na aula hoje?
_ Em, esse não é o melhor momento para falarmos _ ele disse e então um barulho brusco interrompeu sua voz.
_ Jim? Jim? Você está aí?
 A voz fria de Juliet respondeu pelo telefone.
_ Claro que está. Mas estamos meio que ocupados agora. É uma pena que você não possa se despedir. Eu farei isso por você. Adeus.
 E ela desligou o telefone. O telefone escapou das mãos, agora trêmulas, de Emily, mas Violet o pegou antes de atingir o chão. Em um rompante, Emily saiu correndo pelo corredor, o mais rápido que suas pernas poderiam agüentar requerendo um grande esforço, de minha parte, para alcançá-la. A porta principal estava trancada, mas Emily estourara a fechadura alguns metros antes e ao sairmos, a recompôs.
_ Use meu carro _ gritou Violet, jogando a chave para Emily enquanto corríamos por entre os carros.
 Mal entramos e Emily já acelerava. O ponteiro do velocímetro saltou em uma velocidade impressionante.
_ Não seria melhor se você dirigisse? _ eu disse, me segurando firmemente no banco de trás enquanto o carro ia passando aos solavancos pela estrada.
_ Se eu sequer cogitasse a idéia, eu estaria em chamas já. _ disse Violet.
 Lágrimas rolavam pelo rosto cheio de desespero de Emily, que se enchia de medo e ódio.
_ Se aquela vagabunda encostar um dedo nele, eu arranco cada parte dela com os dentes se for preciso.
 O velocímetro passava dos 200 quilômetros por hora, as arvores se tornaram borrões que circundavam a estrada. Já estávamos no meio do caminho até que alguma coisa surgiu na pista, e eu gritei:
_ Freie!
 Violet, do banco do passageiro, assumiu a direção. Tudo se desenvolveu lentamente a partir daí. O carro passara rente a um corpo. Godric. Nesse instante ele conseguira quebrar o vidro e puxar Violet para fora do carro, e derrapamos pela pista úmida.
 As coisas voltaram ao seu tempo habitual, e enquanto Emily arfava, tentando se recompor, me virei e vi Violet e Godric se atracando em uma luta feroz. Ela gritou:
_ Vão! Não há tempo a perder, encontro vocês depois._ e após dizer isso ela retornou ao combate.
 Emily acelerou novamente e sentindo um aperto no peito, por deixar Violet para trás, temendo que algo acontecesse com ela, continuamos o caminho quase voando pela estrada.
 Estacionamos de qualquer jeito em frente a casa de James. Tudo estava parado na rua, quieto, sem sinal algum de agitação ou briga. Corremos para dentro da casa, que Emily abrira quando ainda estávamos no carro.
 Vistoriamos todo o andar inferior, sem sinal algum de Juliet, James ou sangue, então corremos escada acima. Ao abrir a porta do quarto de James, a visão foi como um soco no estômago, como se algo estivesse sendo arrancado do meu interior.
Juliet estava reclinada sobre o corpo de James, estirado e absurdamente pálido no chão. Sangue escorria pelo seu pescoço e formava uma pequena poça ao seu redor. Ela se levantou, sorriu para nós com um sorriso doentio, suas presas à mostra e o rosto cheio de sangue.
_ É uma pena que vocês tenham chegado tarde demais, perderam todo o espetáculo. Você teve um ótimo gosto, garota, ele é extremamente apetitoso. Ou melhor, era.
 Então, o grito de Emily cortou a manhã gelada, fazendo ressoar a sua dor. O furacão nos atingira em cheio.

Capítulo 12 - Look who came to dinner


 Eu demorei um tempo até recuperar totalmente os meus sentidos. Emily estava alerta, preparada para qualquer eventual ataque. James estava abobado, assim como todos os outros no corredor. Violet estava possessa, ela dizia:
_ Droga. Maldita. Como essa vigarista me achou? _ ela havia perdido a sua calma e controle habitual.
 Ela socou um dos armários que estavam atrás de nós, que se entortou sobre o peso da sua força sobre-humana. Eu sussurrei em seu ouvido:
_ Acalme-se, lembre que você ainda está no corredor cheio de gente _ enquanto eu dizia isso, Emily desamassava o armário sem ninguém notar.
 A garota entrou em sua sala, e todos despertaram do transe que a sua presença trouxe. Violet só faltava espumar ao meu lado. Nós quatro nos sentamos no fundo da sala. Era uma aula dupla, então tínhamos tempo para conversar. James dormiu nos cinco primeiros minutos de aula, o que nos deu privacidade para conversar. O professor estava lecionando algo completamente desinteressante sobre as maiores planícies do mundo. Tudo estava como o habitual, exceto pela tensão entre nós.
 Arranquei uma folha de meu caderno e passei um bilhete para Violet.
_ Quem era ela? _ eu escrevi.              
_ Aquela era minha “irmãzinha de criação”. Ela também fora transformada por Remus. Logos após que fui raptada, ela também foi. Seu nome é Juliet. Vivíamos no mesmo povoado, só que eu não deveria ter sido seqüestrada. Eu tinha conseguido um meio de fugir, só que ela me delatou aos Anziani, pois ela achava que ela, a plebéia, seria seqüestrada, todas deveriam ser também. Aquela idiota. Mas me transformaram antes do que ela, ela permaneceu por um tempo como “alimento” para eles, e depois a transformaram também. Ela tornou minha vida um inferno. O tempo em que fui escrava também se deu por causa dela. Ela vivia atrás de mim, me seguindo, delatando cada falha e cada tentativa de fuga. Como eu disse, eu era parte da corte, e ela conseqüentemente me servia, e perturbava todos ao seu redor. Deve ser a sina daquela maldita. Mas eu não sei o que ela pode ter vindo fazer aqui !
_ Ela tem um colar como o seu também? _ Emily perguntou no bilhete.
_ Eu realmente não sei, desde quando fugi dos Anziani não tive contato com ela. Pelo menos naquela época nenhuma de nós tinha um colar. Você não tem como investigar algo a respeito?
_ Só um minuto _ Emily respondeu.
 Ela debruçou-se sobre a mesa, julguei que ela estivesse fazendo algo. O professor já havia mudado o tempo para a hidrografia dessas regiões que eu não me preocupava em saber. Emily levantou a cabeça, puxou o bilhete da minha mão e escreveu:
_ Eu não consegui entrar na mente dela, está bloqueada por algum feitiço poderoso de outra bruxa, ou ela tem uma habilidade nata de dissimulação. Mas ela está usando um colar como o seu, Violet.
_ Droga, então ela pode causar problemas mesmo na luz do sol.
_ Precisamos confrontá-la _ Emily escreveu _ Depois da aula cercaremos ela. Precisamos de algumas respostas.
_ Ela é poderosa, Emily _ Violet respondeu _ Precisamos ter cuidado.
_ Pode ser, mas você também é uma vampira e eu sou uma bruxa. Acho que isso conta alguma coisa.
_ Obrigado por me incluir _ eu escrevi.
 O sinal soou, o bilhete foi imediatamente esfacelado por Emily. James acordou e não fez perguntas sobre o clima de ameaça que estava sobre nossas cabeças. Seu desinteresse e alienação eram impressionantes. Nas próximas aulas eu estaria apenas com Emily e James. Não pudemos mais conversar, então na saída mantivemos o planos de ir atrás de Juliet. Convenientemente, James tinha que ir embora correndo para casa, pois ele tinha um, compromisso, o qual não nos preocupamos em perguntar o que era, desde que nos deixasse livres para agir.
 Vimos o cabelo loiro de Juliet se movendo até o lado oposto do estacionamento. Ela estava indo para o seu carro, um importado prata e reluzente. Violet estava indo na nossa frente e se certificou de que ninguém ouviria a conversa.
 Ela se postou em frente a porta do carro para que Juliet não se esgueirasse até ela e fugisse.
 _ Olá, há quanto tempo não nos vemos._ Juliet disse _ Devo dizer que você está meio acabada. Continua se privando de sangue, o máximo que pode?
 As presas de Violet apareceram por entre seus lábios, acompanhados de uma espécie de rosnado feroz e punhos cerrados. Juliet também mostrou as suas. Emily olhou ao redor para se certificar de que ninguém nos observava. Na verdade, essa preocupação não era necessária, pois não havia mais ninguém no estacionamento, Eu agradeci à pressa dos alunos em sair da escola.
_ O que você está fazendo aqui? Está aqui a mando de Remus? Diga logo ou você prefere que sua cabeça faça uma viagem aérea ? _ Os olhos de Violet estavam tão vermelhos que se aproximavam de um tom arroxeado. Eu nunca a vira assim, era assustador, mas agora de onde o seu nome viera fazia mais sentido para mim.
_ Acalme-se tolinha! Se você arrancar a minha cabeça, as coisas vão se complicar para você sem que eu nem ao menos mova um dedo. Mas não, eu não vim a mando dele, aquela múmia velha continua detestável como sempre. Ele continua na Itália, escondido na sua toca, onde é alimentado por turistas desavisados. Mas enfim, eu tenho meus próprios motivos para vir aqui. E acho bom que você não se intrometa, ou a sua cabeça irá rolar. E você, bruxinha, não se meta comigo, tenho amigos entre os Anziani, que fariam você virar fumaça em um estalar de dedos.
_ Não me subestime, você não me conhece. _ Emily desafiou.
_ Estou tremendo. _ Juliet ironizou _ Agora por favor Violet, tire esse seu corpinho sem graça da porta do meu carro e eu tenha que usar o seu humano para o meu lanchinho. Estou faminta.
 Eu senti um arrepio na espinha. Violet se moveu, ela parecia tão nervosa, que imagino se ela tivesse a chance de arrancar a porta do carro e esmagar a cabeça de Juliet, assim ela o faria.
 Juliet saiu acelerando pela estrada que levava aos arredores da cidade.
_ Temos que fazer algo a respeito _ disse Emily _ Aquela meretriz está tramando algo e não é nada bom. Definitivamente ela vai pagar por aquela ofensa.
_ Por enquanto não podemos fazer nada _ disse Violet _ Mas se for necessário, precisaremos nos unir e fazer estratégias. Sei que você não aprova isso Emily, mas é necessário.
_ Nós deveríamos ir embora sozinhos? _ eu perguntei _ E se ela nos atacar separadamente?
_ Ela não fará nada _ Violet disse _ Ela iria se expor demais, e como ela acabou de chegar ela não iria querer estragar tudo.
_ Ok, então vamos embora _ disse Emily _ Somo os únicos que restaram aqui.
O estacionamento estava vazio. O vento estava zunindo. O céu, para variar, estava nublado e ameaçava derrubar uma chuva pesada. Aparentemente, essa não era a única tempestade que teríamos de enfrentar.
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 Já era noite, Emily e Violet estavam na minha casa. Meus pais me ligaram avisando que estariam aqui na próxima semana, e eu mentira que tudo estava bem, calmo como sempre.
 Discutíamos o que iríamos fazer. Violet contou novamente o que havia escrito no bilhete com maior riqueza de detalhes, mas que não nos forneceu nenhuma informação relevante.
_ Então, o que faremos com Juliet? _ perguntou Emily _ Ateamos fogo, transpassamos o coração com uma estaca, ou outra coisa?
_ Calma aí, Rambo. – eu disse, e ela me olhou com repreensão, enquanto Violet ria discretamente _ Nos não podemos simplesmente fazer alguma coisa sem ter o mínimo de conhecimento sobre isso. E até onde eu sei nem eu, nem você matamos um vampiro alguma vez.
_ Ok. Você está certo. Então, o que faremos?
_ Em síntese, o que Emily falou não está errado _ disse Violet _ Mas, não é tão simples executar isso. Em primeiro lugar, o fogo seria a maneira mais eficiente, mas isso pode chamar mais atenção do que desejamos além de não ser tão fácil assim transformar um vampiro em uma pira. E sobre transpassar o coração, não é tão simples também, já que nossa pele é marmórea, e reforçada na região do coração, justamente para evitar ataques. Então, não podemos usar apena a força, ou, no caso, magia e coisas pontiagudas.
 Já estava escuro lá fora, a torrente de água que despencava do céu fazia muito barulho, acompanhado de trovões e relâmpagos. Emily e eu havíamos pedido pizza, mas eu duvidava que o entregador viesse com essa chuva. Eu percebera que Emily estava bem menos desconfortável com Violet e isso melhorou um pouco meu humor. No entanto, ficamos mirando os respingos de chuva na janela, sem idéia alguma para compartilhar e muito menos alguma decisão efetiva sobre que caminho iríamos tomar em relação à Juliet.
 Então, em meio ao barulho torrencial, ouvimos o barulho da campainha, que parecia distante.
_ Uau, o entregador deve ter vindo _ disse Emily _ Pode deixar que mesma atendo.
 Ela vagarosamente foi até a porta e a abriu. Eu apenas ouvi um grito e pude ver Emily sendo arremessada pela sala e se chocando na parede oposta, derrubando todos os retratos pendurados ali. Ela ficara inconsciente. Violet já havia sacado suas presas enquanto, assustados, íamos para a porta.
 Antes mesmo de alcançarmos a porta, vi a familiar figura loira de Juliet cruzando o portal e se dirigindo até onde Emily estava. O vampiro loiro que atacara Emily estava parado na varanda, e por algum motivo não entrou junto com ela.
 Ela virou o corpo de Emily com os pés, abaixou-se até os ouvidos dela e sussurrou audivelmente:
_ Você não deveria ter se metido comigo, pirralha.
 Ela se virou até ficar de frente pra nós e disse, com um sorriso iluminado no rosto, observando nossas expressões cheias de tensão:
_ Surpresa! O que foi? Não gostaram da minha visita?
E nos deu o seu temível sorriso malicioso.