segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capítulo 7 - Emily's Revelations


    Logo em seguida, os vizinhos curiosos começavam a aparecerem suas portas, porém nada conseguiram ver e descontentes por serem levados pra fora por isso, voltaram para suas casas. Emily e eu permanecemos estáticos na soleira, surpresos demais para falar qualquer coisa. James curioso surgiu atrás de nós perguntando o que aconteceu, o qual respondemos, com uma abalada convicção, de que nada havia ocorrido.
  Voltamos para a mesa fingindo que nada havia ocorrido e retornamos falsamente para os estudos, enquanto uma torrente de insegurança e refletia em nossos rostos. Por debaixo da mesa, recebi de Emily dizendo:
  
Depois que terminarmos, me espere voltar acordado, precisamos conversar!
  
  Sem conseguir nos focar em mais nada, resolvemos parar os estudos e Emily e James foram embora. Fiquei sentado no sofá esperando Emily voltar, como James iria levá-la para casa, ela teria que pegar seu carro para voltar, o que me dava algum tempo para me preparar. Agora que estava sozinho pude sentir o medo esmagador sobre mim. Havia mais deles e eles estavam cada vez mais perto cercando as redondezas e matando as pessoas.
  O tempo voou enquanto o medo me sufocava. A campainha tocou e covardemente fui até a porta. Era Emily. Ela não estava tão abalada quanto achei que fosse estar, depois do impacto de ficar sozinha.
_ Como você está? ­_ perguntou ela em um tom preocupado.
_ Estou bem, mas esperava que você estivesse mais abalada._ disse surpreso.
_ Você não é o único que sabe das coisas. Eu percebi que você sabia diante da sua reação. Uma pessoa que nada soubesse provavelmente entraria em choque com aquela cena.
_ Mas... Como você sabe disso? Não é algo que se descobre por aí. _ disse fechando a porta.
_ Eu nunca disse a você e nem mesmo ao James, mas é uma coisa de família. Desde a fundação da cidade, os habitantes têm sido alvos de ataques “inexplicáveis”. Então, as famílias tradicionais se reuniram e encarregaram uma das famílias, no caso a minha, de proteger a cidade contra essas criaturas. Por algumas gerações não houve muito trabalho a fazer, mas houve tempos de crise, onde toda a cidade teve que se mobilizar, mas tudo foi cuidadosamente apagado dos registros.
_ Espera, é muita informação para processar em tão pouco tempo. Quer dizer que já existiram muitos deles e que agora a cidade pode estar cercada por vários deles, apenas esperando para atacar?
_ Não se precipite, não é exatamente assim. Realmente podem haver vários deles lá fora agora mesmo, mas eles não irão simplesmente atacar se expondo de tal maneira. Eles são instintivos, mas não são burros. Eles ficam à espreita, se alimentando e esperando o momento do massacre, se for esse realmente o caso.
_ Então o Sr. Williams e Susan foram mortos por eles? _ perguntei, alimentando meus argumentos.
_ O que sobrar do pobre Williams será achado em breve, e o caso ficará sem solução. Agora, o caso de Susan é realmente peculiar, pois uma morte exposta daquela forma não é própria deles, foge do padrão. Pode ser o resultado de um amador, de um psicopata ou pode haver outro motivo oculto. Mas eu posso te afirmar que a morte dela não foi resultado do par de olhos que vimos hoje. Aqueles olhos são experientes, soturnos e traiçoeiros. Não fariam algo daquela forma.
_ E como exatamente sua família pode defender a cidade deles? Afinal, eles não são letais e toda aquela história?
_ Nós temos nossos meios, mas não é algo que eu possa revelar agora, mas que no tempo certo eu irei te contar.
 Sentei-me no sofá absorvendo toda a informação de outra noite exaustiva e cheia de novidades fantásticas. A cidade absurdamente pacata deixara de ser tão calma em menos de uma semana, então, como será daqui pra frente?
_ Matt _ disse Emily interrompendo meu fluxo assombroso de idéias _ Eu sei sobre Violet, e é por isso que eu imploro que não se envolva com ela. O histórico entre humanos e vampiros não é nada favorável para o nosso lado. E principalmente, nunca convide nem ela nem estranho nenhum para entrar, vampiros podem estar em qualquer lugar.
_ Você está querendo dizer que aquela história obre vampiros precisarem ser convidados para entrar é verdadeira? _ disse em tom irônico para disfarçar o medo e a curiosidade.
_ Diante dos últimos fatos, você duvida do que mais? _ respondeu ela seriamente _ E acima de tudo lembre-se que assim como eu você não passa de uma refeição para eles. E nunca, nunca perambule sozinho, principalmente entre as árvores. É cenário favorito deles.
 Minha mente voou para o encontro com Violet na clareira. Ela poderia ter me matado em um estalar de dedos por pura e simples estupidez. E se ela não for uma sanguinária? E se ela realmente for a assassina de Susan?
_ Matt, eu realmente vou precisar da sua ajuda agora, sobre aquela historia de “cuidar” da cidade. Meus pais não sabem de nada, pois há uma alternância de gerações em relação ao segredo. Eu só podia contar com os meus avós, mas depois da morte deles, eu tenho carregado esse fardo sozinha e tem sido difícil mesmo sem essas criaturas por perto. E a partir de agora, quero que você use isso, sempre.
  Ela me entregou uma pequena corrente de prata, com uma discreta pedra preta triangular presa nela.
_ Eu agradeço, mas como exatamente isso vai me ajudar ou proteger? _ perguntei.
_ Apenas fique atento a ela. Isto irá avisá-lo quando sua vida estiver em risco. E quando ela avisar, reze para que você possa correr ou entrar em casa. Agora eu vou embora, você precisa descansar, o que não será fácil depois de tudo isso. Até amanhã Matt, e me desculpe por ter que dividir essa carga com você.
_ Tudo bem, você sempre pode contar comigo. Até amanhã.
 Fechei a porta e olhei ao redor para a casa escura e vazia que eliminava qualquer sensação de segurança que poderia existir. O relógio iluminado marcava mais de meia-noite. Subi as escadas, já usando a corrente de Emily. Eu contemplava-a num espelho imaginando como isso funcionaria. Tirei-a do pescoço e fechei minha mão sobre a inerte e fria pedra, até que bruscamente senti como se estivesse segurando brasa com as mãos e soltei a pedra com um grito de dor. Olhei para ela e estava vermelho sangue, enquanto alguém desesperadamente esmurrava a porta da frente.

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