segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capítulo 11 – Spells, scares and surprises


 Ao chegar em casa, peguei meu celular e freneticamente liguei para o número de Emily, que demorou um pouco para atender.
_ Ei Matt, você está vivo ainda? Que bom _ ela atendeu ironicamente.
_ Oi _ eu disse secamente _        Que bom que você está viva também. Fazendo algum ritual nesse final de semana?
 O telefone ficou mudo.
_ O que você quis dizer com isso? _ Emily perguntou com a voz trêmula.
_ Você sabe. Precisamos conversar sobre esse seu “segredo”.
_ Mas o que você sabe sobre isso?
_ Na minha casa. Em quinze minutos. Estou te esperando. _ e desliguei o telefone.
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 Já haviam passado os quinze minutos, eram cerca de quatro horas da tarde. Eu olhava pela janela, até mesmo me esquecera de comer. O carro de Emily surgiu em alta velocidade vindo pela rua estreita. Ela freou bruscamente, estacionando desleixadamente em frente à varanda.
 Abri a porta. Ela estava preocupada, diria até com uma expressão de quem fora acuada.
_ Olá _ ela disse _ Me desculpe, eu devia ter te contado tudo antes.
_ OK. Eu não estou chateado com você, apenas fiquei surpreso. Acho que agora é uma boa hora para esclarecer as coisas.
_ Isso vai ser estranho, mas tudo bem.
_ Sinceramente, diante dos últimos acontecimentos nada mais é estranho _ eu disse, encorajando-a a continuar.
_ Como você já deve suspeitar, isso é uma coisa de família, que passa pelas gerações. Mas há uma alternância, razão pela qual meus pais não sabem de nada.
 Sentamos no sofá. Ela parecia estar nervosa, insegura.
_ Para começar, esse colar que você usa, fui eu que o criei. Além do sangue, é necessário um ritual, para que eu possa saber se você precisa de mim. Os colares são de certa forma conectados.
_ Você poderia ter me contado, mas mesmo assim é engenhoso, agradeço por você se preocupar. _ eu agradeci.
_ James ainda não sabe de nada, tenho medo da reação dele quando descobrir.        A maioria das coisas que se ouve por aí, sobre bruxas, é mito. Em síntese, fazemos alguns feitiços e rituais mas não voamos com vassouras e nem temos verrugas no nariz _ ela riu, como se fosse uma piada pessoal a qual, ou eu não compreendi ou eu não estava no clima para me divertir _ Aposto que foi Violet quem te deu a dica.
_ Bom ela não contou exatamente, eu apenas fiz algumas perguntas e ela respondeu, fazendo as peças se encaixarem.Mas uma coisa me deixou abismado, como vocês reconheceram uma a outra se nem ao menos permanecem muito tempo no mesmo ambiente e nem conversam?
_ Eu não sei ao certo como, mas é como se cada uma de nós, bruxa ou vampira, pudéssemos ver uma a aura da outra, que é única de cada pessoa. Acho que é por causa da aliança que havia entre nós. Não é preciso ser bruxa nem vidente para ver sua falta de surpresa e saber que Violet lhe contou grande parte dessa historia. Os únicos  que ainda tem uma união formal com bruxas são os Anziani. Mas estas não são tão simpáticas como eu, ela tem um pacto de imortalidade, são meio bruxas, meio vampiras, também chamadas de Magjistare. Elas são perigosas e poderosas. Tão antigas quanto alguns Anziani, mas em menor número. Há muitas de nós espalhadas por aí, mas ocultas, com medo de serem atacadas, ou pior, recrutadas pelos Anziani. É claro que não há apenas mulheres no nosso meio, mas os poucos homens que existem , se escondem nas sombras e não participam abertamente do mundo bruxo.
_ Então tudo se relaciona. Mas que tipo de coisas você pode fazer? Presumo que não seja tão fácil, mesmo para você, se livrar de um vampiro_ disse com a curiosidade tomando conta de mim.
_ É difícil explicar, pois nosso poder é amplo e além de grande energia e experiência pode requerer palavras específicas, amuletos e todo esse tipo de coisa. Mas posso fazer uma demonstração.
 Ela fechou os olhos, se concentrando. Repentinamente uma das folhas de papel sobre a mesa de centro levitou, e permaneceu pairando no ar como se estivesse segura por alguma coisa. A folha começou a se dobrar, e formou um boneco de papel. Emily abriu os olhos vidrados e ao proferir algumas palavras, ela ateou fogo no boneco. Uma fumaça arroxeada e pesada se desprendia das chamas. O boneco foi consumido e suas cinzas se acumularam sobre a mesa. Emily saiu do seu aparente transe, se virou satisfeita e disse:
_ E então, o que achou? É obvio que fazer um origami que pega fogo e matar um vampiro são coisas bem diferentes, mas é basicamente o mesmo principio de recitar as palavras se concentrar e tudo mais.
 Eu estava mudo. O que eu acabara de ver se acumulara as coisas inconcebíveis que eu estava vivendo. Uma vida inteira de ceticismo e explicações racionais se dissolvera em questão de alguns dias. Era um furacão que me rodeava, e eu estava bem no centro dele.
_ É... Impressionante. Desde quando você tem essa habilidade?
_ Já faz alguma tempo, desde antes de minha avó morrer. Há 4 ou 5 anos eles começaram a aparecer sutilmente, mas venho aprimorando eles graças aos registros e diários que minha avó deixou para mim.
 Eu me arrumei no sofá, processando a informação que me fora passada.
_ Tem mais alguma coisa absurdamente chocante que eu ainda não saiba? Tipo aliens, tomates assassinos ou algo do gênero? _ perguntei, soando extremamente patético.
Emily gargalhou sonoramente e me respondeu:
_ Bom , não duvido que essas coisas possam existir, com exceção é claro dos tomates assassinos, mas ainda não tomei conhecimento de outras criaturas que permeiam nosso convívio. Eu entendo, não compreendia nada antes também, mas com o tempo você se acostuma a pensar que há mais coisas por aí do que podemos compreender.
_ Você quer alguma coisa? Água, café ou algo do tipo? Eu definitivamente preciso de algo.
_ Eu aceito um copo de água. O impacto não foi tão forte pra mim_ ela sorriu.
Eu me dirigi para a cozinha, para providenciar a água e um pouco de açúcar para mim. Comi um pedaço de chocolate e voltei para a sala levando o copo de Emily. Enquanto voltava para a sala, vi aquele rosto feroz e familiar, o vampiro que atacara Emily, com seus olhos escarlate nos observando pela janela. Eu entrei em choque, o copo escorregou pela minha mão e se estilhaçou no chão. Emily se sobressaltou, mas quando olhou ao redor para ver o que tinha me assustado, o rosto havia desaparecido.
_ O que aconteceu? Você está bem? _ ela correu até mim.
_ Sim, eu só me assustei. O vampiro que te atacou estava nos olhando pela janela _ Eu disse e ela engoliu em seco _ Agora eu preciso limpar tudo isso antes que a gente se corte e o vampiro não resista ao nosso sangue.
_ Não se preocupe com isso, eu resolvo.
 Ela murmurou alguma palavras ininteligíveis e os cacos de vidro começaram a se juntar, o copo ficara intacto como se nada tivesse acontecido e a água havia sumido do chão também.
_ E então, o que achou da sua amiga bruxa? _ ela disse sorrindo.
_ É, acho que eu posso me acostumar com isso. _ eu disse e ambos rimos.
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 Segunda-feira chegou. Sem dúvida este fora o fim de semana mais singular da minha vida. Emily e Violet me contaram seus segredos e eu me vi envolvido em algo muito mais complexo do que eu imaginara e não sabia como manter tudo isso oculto, principalmente quando meus pais voltassem à cidade.
 A escola ignorava toda e qualquer manifestação de surrealidade e tudo estava em um clima tipicamente juvenil. Eu nunca percebera como a vida era pulsante ali, como se cada vida e cada coração se juntassem a um ritmo freqüente e frenético. “Acho que estou ficando tempo demais com Violet e Emily _ pensei.”
 Violet e Emily ainda estavam distantes, mas a união delas não devia demorar a acontecer. James estava avulso aos sinais de agitação entre nós. Mas, logo ele chegou no estacionamento, quase vazio e disse:
_ Ei, como vão as coisas? Emily e Violet ainda não chegaram né? _ ele perguntou sonolento.
_ Ainda não, estou esperando elas. Onde estão suas roupas habituais? _ eu perguntei.
 Eles estava usando uma camiseta azul estilizada, jeans e um tênis, o que não era comum para quem se vestia como ele.
_ Bom, digamos que Emily passou na minha casa sábado e “reformou” o meu guarda-roupa.
 Eu sorri apesar de Emily e James serem um casal perfeito, eles nunca se acertaram sobre o estilo de James. Emily tinha pequenas vitórias periódicas, mas nada como hoje.
 Emily chegou e Violet vinha logo atrás. Quando nos alcançou Emily sorriu e disse:
 _ Muito melhor Jim. Estou orgulhosa de mim mesma _ e soltou outra risada, ele fez uma cara de vencido.
 Violet se aproximou de nós e cumprimentou a todos.
_ E então, você está melhor? _ eu perguntei.
_ Sim, bem melhor. Eu só precisava de um tempo para pensar. Vejo que você e Emily se acertaram também, fico feliz por isso. Agora vamos para a sala ou ficaremos atrasados.
_ Ok.
 E fomos os quatro juntos para a primeira aula, a única que tínhamos todos juntos, a de geografia. Seguíamos pelo corredor abarrotado de alunos.
 Surgiram murmúrios e logo vimos o motivo. Emily se perguntava o que seria. Uma garota loira vinha, com seus cabelos platinados resplandecendo. Ela tinha a mesma beleza pálida de Violet, e olhos de um azul profundo, escuro e devastador. Ela, como Violet, era incrivelmente bonita, como se apenas ela preenchesse o corredor cheio de gente. Ela passou por nós no corredor, nos fitou com seus olhos penetrantes e sorriu sinistra e sedutoramente com um toque irônico nos lábios. Então eu vi o brilho vermelho em seus olhos, que já me era familiar.
 Meu sangue gelou e eu fiquei estático, a voz de Emily se perdeu e ela se retesou, Violet rosnou ao meu lado.
_ Maldita _ ela exclamou ao meu lado, mas ninguém mais ouviu. 

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