domingo, 19 de setembro de 2010

Capítulo 14 - Welcome to the hurricane


   O grito de Emily ainda ecoava pelo quarto. Juliet estava extraindo cada gota de prazer que podia da cena. Eu não sabia o que fazer, o choque ainda me paralisava, mas o ódio e a repulsa crescendo dentro de mim exigiam alguma reação. O grito de Emily cessou e a dor, em seu rosto, se estampou na forma de fúria. Ela não parecia mais ela mesma, pela primeira vez ela deixara de ser sensível, e passara a ser letal.
_ Olhem só, a bruxinha está ficando irritada.  _ disse Juliet com desprezo _ Isso não vai trazê-lo de volta. _ e riu, com orgulho do que tinha feito.
 Eu olhei para Emily e surpreendentemente, ela estava suspensa no ar, seus pés não tocavam mais o chão. Juliet também percebera isso.
 _ Ele pode não voltar, mas eu farei você conhecer o inferno, vadia. _ Emily urrava parecendo estar fora de si.
 Então eu reconhecera, ela estava em transe, como quando demonstrara seus poderes para mim. Num rompante, as paredes começaram a arder sem chamas, sem gesto ou menção alguma de Emily. As chamas estalavam em direção a Juliet que recuava em direção a janela. Imediatamente, a cama voou pelo quarto e obstruiu a janela, também começando a arder em chamas. Eu puxei o corpo ensangüentado de James para perto de mim.
_ Matt _ Violet gritou do lado de fora _ Eu não posso entrar, venham para fora, agora!
 Eu ia gritar de volta para ela, mas percebi que ela não gritara, mas que estava falando dentro da minha cabeça.
_ Como você faz isso? _ eu pensei.
_ Depois. Traga Emily e James para fora agora, antes que Juliet faça alguma coisa ou que Emily consuma a casa toda com o fogo.
_ OK _ pensei _ James está morrendo e Emily em transe.
_ Leve ele pra fora _ disse Emily _ Sim, eu ouvi tudo, agora ande logo.
 Emily cercou Juliet com um circulo de fogo enquanto eu arrastava James para fora. Violet nos esperava na porta.
_ Que bom que você está bem _ ambos dissemos um ao outro, seguido de um breve beijo.
_ Precisamos levá-lo para o hospital. Ele perdeu muito sangue, a vida dele está por um fio. _ eu disse _ E Godric? O que aconteceu com ele?
_ Ele fugiu _ disse Violet _ Eu estava vencendo ele, ia matá-lo, mas ele conseguiu fugir por entre as árvores. Agora não há nada que possamos fazer. E Emily?
_ Acho que ela está lidando muito bem com o problema. Vamos colocar James no carro dele e levá-lo para o hospital. E o seu carro?
_ Eu o deixei na sua casa. Espere, isso é cheiro de gás?
 Então a lembrança do cheiro voltou à minha memória. Quando chegamos, ao checar o andar de baixo, eu o sentira, mas não havia dão importância. Droga. Juliet armara tudo. Ela sabia que Emily agiria daquele jeito.
_ EMILY _ eu gritei _ Ela armou tudo, saia agora.
  Violet agarrou a gola da minha blusa e me jogou no chão, e assim ela o fez também. Fechei os olhos. Então só ouvi o barulho de uma janela quebrando, alguém correndo e o barulho ensurdecedor da explosão.
 Abri os olhos, havia estilhaços da casa por todo o lugar, metade da casa havia explodido e a outra metade estava em chamas. O cenário era desolador, mas eu tive certo alívio ao ver que Emily conseguira sair da casa antes do estrondo e estava jogada no chão, assim como nós. Violet e James também não haviam sido atingidos, apesar de James estar péssimo.
_ Em? Em? Você está bem? _ eu corri até ela.
_ Sem danos físicos. Juliet conseguiu fugir pela janela, além de quase nos matar e mandar a casa de James pelos ares. Ela ainda irá me pagar, e absurdamente caro. Os vizinhos já vão aparecer, vamos levar James para o hospital antes que nossa situação se complique.
 Corremos para o carro de James. Dessa vez Violet e eu fomos na frente e Emily chorando no banco de trás, abraçando o corpo quase morto de James.
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 Estávamos todos sentados no quarto do hospital. James estava deitado na cama, praticamente em coma. Emily estava segurando a mão dele, sentada próxima do monitor cardíaco. Os médicos disseram que ele havia perdido sangue demais e que isso poderia deixar seqüelas, além de sua baixa chance de sobrevivência.
 Além disso, tivemos que pregar uma historia convincente sobre o que acontecera. Aparentemente fora um descuido de James, que faltara da escola por estar com dor de cabeça, que deixara o gás aberto e assim tudo foi pelos ares, sendo ele atingido por algum estilhaço ou pedaço que desmoronou, e felizmente estávamos indo para a casa dele visitá-lo, pois estávamos tão preocupados que ate saímos no intervalo das aulas.
 Os pais de James, que estavam trabalhando na cidade vizinha, estavam vindo diretamente para o hospital. Preferimos que o hospital os contatasse e avisasse sobre o filho e a casa.
 _Em, você deveria descansar um pouco _ eu disse _ Isso tudo foi muito exaustivo pra você.
_ Eu sei, mas eu não quero deixá-lo aqui. E se alguma coisa acontecer a ele? E se ela voltar? Se vocês quiserem ir embora, podem ir, eu cuido dele e lido com os pais.
_ Tudo bem, qualquer coisa ligue no meu celular.
 Então Violet e eu deixamos Emily no hospital e fomos para a minha casa. Meus pais deixaram outra mensagem, voltariam amanhã. Eu não sabia o que faríamos para deixar tudo oculto. Começamos consertando os poucos estragos na porta da frente e na sala. Minha vontade era de desaparecer, sumir até que tudo isso passasse e eu pudesse ficar com Violet e meus amigos sem nenhuma vampira psicopata nos caçando. Seria bom pra variar.
_ Como você conseguiu falar dentro da minha cabeça? _ eu perguntei
_ Bom, assim como Juliet tem poderes extras no colar dela,presumo que eu também tenha. Não é algo que eu entenda muito bem, mas funciona sempre nas horas de necessidade extrema.
_ Entendo. E agora? _ perguntei me jogando no sofá junto com Violet.
_ Eu não faço idéia. _ disse Violet se aninhando sobre mim. _ Eu estou tão confusa e perdida quanto você ou Emily. O que aconteceu com James só confirmou nossas suspeitas da falta de humanidade de Juliet e da nossa vulnerabilidade. Eu ainda não entendo o porquê disso.
_ Eu muito menos. Mas eu não quero saber o porquê, só quero que isso passe. Eu te amo e não quero correr o risco de te perder. _ eu disse e ela me beijou.
 Pela primeira vez em um bom tempo nos permitimos ficar apenas um junto do outro, o que meu estômago fez questão de estragar o momento. Violet me obrigou a comer algo.
 Fiz um lanche rápido, não estava com vontade de comer, apesar da minha manifestação estomacal.
_ Você deveria cuidar disso _ disse Violet apontando um arranhão no meu braço. _ Parece que vai inflamar. Acredite, eu sei quando isso ocorre, o cheiro do sangue muda. _ e ela me deu um sorriso, parecendo como se, se desculpasse pelos seus sentidos aguçados.
_ Obrigado, eu vou cuidar disso. _ eu subi as escadas e limpei o machucado.
_ Matt _ Violet chamou ao mesmo tempo em que o celular começara a tocar. _ É a Emily.
 Eu corri pela escada, peguei o telefone e atendi.
_ Alô, Em, está tudo bem?
 Ela estava chorando desesperadamente e demorou até se controlar. Nesse meio tempo eu já tinha pensado o pior.
_ Ele sumiu _ ela disse _ Eu sai do quarto para tomar um café e quando voltei, ele não estava mais lá. Ela o pegou Matt, nós o perdemos.
_ Emily, acalme-se, vocês checaram o hospital todo?
_ Sim, todo mundo se mobilizou para achá-lo. Os pais dele estão furiosos. Eu tenho certeza que foi ela. Não há rastros, nem marca alguma de que ele saiu andando. Precisamos achá-lo.
_Claro _ eu disse _ Estamos indo, fique calma.
_ Violet _ eu chamei e olhei para onde ela estava.
 Ela não estava mais lá e a porta estava entreaberta.
_ Droga _ eu peguei as chaves do carro para poder ir para o hospital.
 A estrada estava ficando escura, já estava anoitecendo e o crepúsculo banhava as coisas de maneira sinistra.
 Seguindo pela estrada com os faróis ligados, tentava insistentemente ligar para Violet. Vi alguma coisa na beira da estrada e reduzi a velocidade. Aproximando-me, vi que era uma pessoa debruçada sobre outra. Havia sangue, pensei que provavelmente precisassem de ajuda.
 A pessoa acocorada levantara seu rosto e seus olhos vermelhos e enlouquecidos brilharam sob a luz dos faróis. Com as mãos tremulas, eu tentava acelerar, assustado com aquele vampiro alto de cabelos castanhos. Apesar de nunca tê-lo visto, ele me pareceu familiar, e então a verdade me atingiu.
_ James ?! _ eu exclamei.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capítulo 13 - Pain


 Eu ainda estava parado, olhando o corpo de Emily estirado no chão e a face ameaçadora de Juliet.
_ E então, vocês não tem nada a me dizer? Nem uma recepção calorosa, ou um convite para jantar? _ e ela riu maliciosamente.
_ Como você consegui entrar? _ eu perguntei recuando em direção à cozinha.
 Ela gargalhou enquanto Violet se postava entre eu e ela.
_ Eu disse que tinha amigos entre os Anziani, e portanto entre os Magjistare _ ela me mostrou seu colar, feito de uma pedra mesclada de azul e vermelho que eu não reconheci _ Eles me deram essa presentinho, que além de me permitir andar no sol, também permite que eu possa entrar na casa de humanos, sem a menor cerimônia, além de alguns outros privilégios.
 Eu me esgueirava até o balcão para tentar pegar alguma coisa que pudesse ser usada como arma.
_ Garoto, pare de tentar bancar o corajoso tentando alcançar alguma coisa que provavelmente irá ferir mais você do que eu. _ disse ela enquanto se sentava no sofá _ Não vai adiantar. E acredite, será bem pior para você.
_ O que você está fazendo aqui? _ disse Violet.     
_ Eu só vim dar um aviso. Saiam do meu caminho. Eu sei que vocês estão tramando alguma coisa para me atrapalhar, mas eu irei matar um a um antes que vocês sonhem em realizar isso. Considere o que fiz com a pirralha uma amostra ínfima do que eu posso fazer. Ah, e acho que vocês já conhecem o meu fiel servo, Godric. Ele anda bem faminto ultimamente, então cuidado ao andarem por aí.
 Ela se levantou, passou por cima do corpo de Emily e se dirigia à porta. Em meu desespero de pará-la, ou machucá-la, agarrei a primeira coisa que vi, um vaso que estava no balcão e arremessei-o. O vaso atingiu a sua nuca e estilhaçou-se. Ela parou na porta, até que se virou com um grande sorriso sinistro e disse:
_ Eu irei me lembrar disso quando nos encontrarmos de novo. E, a propósito, sugiro que compre uma cerâmica melhor, ou então use uma estaca de uma vez. Até breve.
 Ela bateu a porta, e nós ficamos parados por alguns segundos até a realidade nos atingir novamente. Corremos para socorrer Emily no chão. Ela estava respirando e tinha pulsação. Violet e eu pegamos seu corpo inconsciente e a levamos para a minha cama. Havia um galo em sua cabeça, e enquanto Violet tentava acordá-la eu desci as escadas para pega um pouco de gelo. Ao voltar para lá, ela estava acordada, mas meio entorpecida.
_ Em, você está bem? ­_ eu perguntei.
_ Acho que sim. Minha cabeça dói e parece que fui atropelada por um ônibus, de preferência cheio de gente. Onde está aquela vagabunda? Eu só me lembro de ter sido arremessada por aquela maldita. Ela definitivamente não está na minha lista de amigos. Espero que eu posso acendê-la como quem acende um fósforo e o espera queimar pacientemente.
_ Você nunca controla seu gênio né? _ eu ri _ A coisa está bem pior do que parecia, ela pode entrar em qualquer lugar agora, tem um servo e não tem receio algum em nos matar.
 Ela se ajeitou na cama, colocou o saco de gelo em sua cabeça.
_ É, acho que agora nós estamos definitivamente no olho do furacão e não há abrigo algum para nos esconder _ ela disse e deslizou na cama, se deitando novamente _ Eu realmente vou precisar de férias depois disso tudo.
 Violet e eu rimos, mas sentimos o peso das palavras dela. Nós estávamos mesmo no olho do furacão, e era um realmente grande, devastador.
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 Dormimos todos em minha casa, na sala. Nos revezávamos na vigília, com medo de uma outra “surpresinha” de Juliet.
 O dia clareou, Violet sussurrou em meu ouvido que ela iria até sua casa pegar suas coisas, mas ela voltaria logo. Acordei Emily, e ela permaneceu vigiando para eu me arrumar. Quando desci, Violet já estava lá, e após Emily se arrumar com algumas roupas que Violet trouxera, fomos para a escola.
 O carro de Juliet ainda não estava lá. O dia continuava pesado e tudo parecia mais cinzento. Violet mantinha o seu ar serio e contemplativo.
_ Emily _ Violet disse _ Há alguma coisa que você possa fazer para bloquear os efeitos do colar de Juliet? Não teremos paz enquanto ela puder entrar nas nossas casas.
_ Bom, eu posso pesquisar a respeito, mas não tenho certeza, a magia ali é muito poderosa. Eu precisaria de artilharia pesada, e não sei se já sou capaz de invocá-la.
_ Por favor, se esforce. _ disse Violet _ Essa pode ser a única maneira de retardarmos as ações dela e impedi-la de nos matar.
_ Ok. E sobre Godric? O que faremos com ele?
_ Ele como recém-criado nos oferece perigo, mas ele não é inteligente ou cruel como Juliet, ele é basicamente instintivo. Fique alerta com ele, ele não calculará perigo algum para se alimentar, arriscando até mesmo nosso segredo.
_ Entendi _ dissemos Emily e eu.
 James estava atrasado, mas o sinal soara e tivemos que nos apressar para a aula. Emily estava tensa, alerta a todo e qualquer movimento ou som de seu celular. As duas primeiras aulas passaram vagarosamente, até que saímos para o intervalo e Emily imediatamente ligou para James e colocou no modo viva-voz para que pudéssemos ouvir também.
 O telefone tocou algumas vezes, enquanto isso nos movemos para o canto mais isolado da escola.
_ Alô _ disse James.
_ Oi Jim, somos nós. Você está bem? Por que não apareceu na aula hoje?
_ Em, esse não é o melhor momento para falarmos _ ele disse e então um barulho brusco interrompeu sua voz.
_ Jim? Jim? Você está aí?
 A voz fria de Juliet respondeu pelo telefone.
_ Claro que está. Mas estamos meio que ocupados agora. É uma pena que você não possa se despedir. Eu farei isso por você. Adeus.
 E ela desligou o telefone. O telefone escapou das mãos, agora trêmulas, de Emily, mas Violet o pegou antes de atingir o chão. Em um rompante, Emily saiu correndo pelo corredor, o mais rápido que suas pernas poderiam agüentar requerendo um grande esforço, de minha parte, para alcançá-la. A porta principal estava trancada, mas Emily estourara a fechadura alguns metros antes e ao sairmos, a recompôs.
_ Use meu carro _ gritou Violet, jogando a chave para Emily enquanto corríamos por entre os carros.
 Mal entramos e Emily já acelerava. O ponteiro do velocímetro saltou em uma velocidade impressionante.
_ Não seria melhor se você dirigisse? _ eu disse, me segurando firmemente no banco de trás enquanto o carro ia passando aos solavancos pela estrada.
_ Se eu sequer cogitasse a idéia, eu estaria em chamas já. _ disse Violet.
 Lágrimas rolavam pelo rosto cheio de desespero de Emily, que se enchia de medo e ódio.
_ Se aquela vagabunda encostar um dedo nele, eu arranco cada parte dela com os dentes se for preciso.
 O velocímetro passava dos 200 quilômetros por hora, as arvores se tornaram borrões que circundavam a estrada. Já estávamos no meio do caminho até que alguma coisa surgiu na pista, e eu gritei:
_ Freie!
 Violet, do banco do passageiro, assumiu a direção. Tudo se desenvolveu lentamente a partir daí. O carro passara rente a um corpo. Godric. Nesse instante ele conseguira quebrar o vidro e puxar Violet para fora do carro, e derrapamos pela pista úmida.
 As coisas voltaram ao seu tempo habitual, e enquanto Emily arfava, tentando se recompor, me virei e vi Violet e Godric se atracando em uma luta feroz. Ela gritou:
_ Vão! Não há tempo a perder, encontro vocês depois._ e após dizer isso ela retornou ao combate.
 Emily acelerou novamente e sentindo um aperto no peito, por deixar Violet para trás, temendo que algo acontecesse com ela, continuamos o caminho quase voando pela estrada.
 Estacionamos de qualquer jeito em frente a casa de James. Tudo estava parado na rua, quieto, sem sinal algum de agitação ou briga. Corremos para dentro da casa, que Emily abrira quando ainda estávamos no carro.
 Vistoriamos todo o andar inferior, sem sinal algum de Juliet, James ou sangue, então corremos escada acima. Ao abrir a porta do quarto de James, a visão foi como um soco no estômago, como se algo estivesse sendo arrancado do meu interior.
Juliet estava reclinada sobre o corpo de James, estirado e absurdamente pálido no chão. Sangue escorria pelo seu pescoço e formava uma pequena poça ao seu redor. Ela se levantou, sorriu para nós com um sorriso doentio, suas presas à mostra e o rosto cheio de sangue.
_ É uma pena que vocês tenham chegado tarde demais, perderam todo o espetáculo. Você teve um ótimo gosto, garota, ele é extremamente apetitoso. Ou melhor, era.
 Então, o grito de Emily cortou a manhã gelada, fazendo ressoar a sua dor. O furacão nos atingira em cheio.

Capítulo 12 - Look who came to dinner


 Eu demorei um tempo até recuperar totalmente os meus sentidos. Emily estava alerta, preparada para qualquer eventual ataque. James estava abobado, assim como todos os outros no corredor. Violet estava possessa, ela dizia:
_ Droga. Maldita. Como essa vigarista me achou? _ ela havia perdido a sua calma e controle habitual.
 Ela socou um dos armários que estavam atrás de nós, que se entortou sobre o peso da sua força sobre-humana. Eu sussurrei em seu ouvido:
_ Acalme-se, lembre que você ainda está no corredor cheio de gente _ enquanto eu dizia isso, Emily desamassava o armário sem ninguém notar.
 A garota entrou em sua sala, e todos despertaram do transe que a sua presença trouxe. Violet só faltava espumar ao meu lado. Nós quatro nos sentamos no fundo da sala. Era uma aula dupla, então tínhamos tempo para conversar. James dormiu nos cinco primeiros minutos de aula, o que nos deu privacidade para conversar. O professor estava lecionando algo completamente desinteressante sobre as maiores planícies do mundo. Tudo estava como o habitual, exceto pela tensão entre nós.
 Arranquei uma folha de meu caderno e passei um bilhete para Violet.
_ Quem era ela? _ eu escrevi.              
_ Aquela era minha “irmãzinha de criação”. Ela também fora transformada por Remus. Logos após que fui raptada, ela também foi. Seu nome é Juliet. Vivíamos no mesmo povoado, só que eu não deveria ter sido seqüestrada. Eu tinha conseguido um meio de fugir, só que ela me delatou aos Anziani, pois ela achava que ela, a plebéia, seria seqüestrada, todas deveriam ser também. Aquela idiota. Mas me transformaram antes do que ela, ela permaneceu por um tempo como “alimento” para eles, e depois a transformaram também. Ela tornou minha vida um inferno. O tempo em que fui escrava também se deu por causa dela. Ela vivia atrás de mim, me seguindo, delatando cada falha e cada tentativa de fuga. Como eu disse, eu era parte da corte, e ela conseqüentemente me servia, e perturbava todos ao seu redor. Deve ser a sina daquela maldita. Mas eu não sei o que ela pode ter vindo fazer aqui !
_ Ela tem um colar como o seu também? _ Emily perguntou no bilhete.
_ Eu realmente não sei, desde quando fugi dos Anziani não tive contato com ela. Pelo menos naquela época nenhuma de nós tinha um colar. Você não tem como investigar algo a respeito?
_ Só um minuto _ Emily respondeu.
 Ela debruçou-se sobre a mesa, julguei que ela estivesse fazendo algo. O professor já havia mudado o tempo para a hidrografia dessas regiões que eu não me preocupava em saber. Emily levantou a cabeça, puxou o bilhete da minha mão e escreveu:
_ Eu não consegui entrar na mente dela, está bloqueada por algum feitiço poderoso de outra bruxa, ou ela tem uma habilidade nata de dissimulação. Mas ela está usando um colar como o seu, Violet.
_ Droga, então ela pode causar problemas mesmo na luz do sol.
_ Precisamos confrontá-la _ Emily escreveu _ Depois da aula cercaremos ela. Precisamos de algumas respostas.
_ Ela é poderosa, Emily _ Violet respondeu _ Precisamos ter cuidado.
_ Pode ser, mas você também é uma vampira e eu sou uma bruxa. Acho que isso conta alguma coisa.
_ Obrigado por me incluir _ eu escrevi.
 O sinal soou, o bilhete foi imediatamente esfacelado por Emily. James acordou e não fez perguntas sobre o clima de ameaça que estava sobre nossas cabeças. Seu desinteresse e alienação eram impressionantes. Nas próximas aulas eu estaria apenas com Emily e James. Não pudemos mais conversar, então na saída mantivemos o planos de ir atrás de Juliet. Convenientemente, James tinha que ir embora correndo para casa, pois ele tinha um, compromisso, o qual não nos preocupamos em perguntar o que era, desde que nos deixasse livres para agir.
 Vimos o cabelo loiro de Juliet se movendo até o lado oposto do estacionamento. Ela estava indo para o seu carro, um importado prata e reluzente. Violet estava indo na nossa frente e se certificou de que ninguém ouviria a conversa.
 Ela se postou em frente a porta do carro para que Juliet não se esgueirasse até ela e fugisse.
 _ Olá, há quanto tempo não nos vemos._ Juliet disse _ Devo dizer que você está meio acabada. Continua se privando de sangue, o máximo que pode?
 As presas de Violet apareceram por entre seus lábios, acompanhados de uma espécie de rosnado feroz e punhos cerrados. Juliet também mostrou as suas. Emily olhou ao redor para se certificar de que ninguém nos observava. Na verdade, essa preocupação não era necessária, pois não havia mais ninguém no estacionamento, Eu agradeci à pressa dos alunos em sair da escola.
_ O que você está fazendo aqui? Está aqui a mando de Remus? Diga logo ou você prefere que sua cabeça faça uma viagem aérea ? _ Os olhos de Violet estavam tão vermelhos que se aproximavam de um tom arroxeado. Eu nunca a vira assim, era assustador, mas agora de onde o seu nome viera fazia mais sentido para mim.
_ Acalme-se tolinha! Se você arrancar a minha cabeça, as coisas vão se complicar para você sem que eu nem ao menos mova um dedo. Mas não, eu não vim a mando dele, aquela múmia velha continua detestável como sempre. Ele continua na Itália, escondido na sua toca, onde é alimentado por turistas desavisados. Mas enfim, eu tenho meus próprios motivos para vir aqui. E acho bom que você não se intrometa, ou a sua cabeça irá rolar. E você, bruxinha, não se meta comigo, tenho amigos entre os Anziani, que fariam você virar fumaça em um estalar de dedos.
_ Não me subestime, você não me conhece. _ Emily desafiou.
_ Estou tremendo. _ Juliet ironizou _ Agora por favor Violet, tire esse seu corpinho sem graça da porta do meu carro e eu tenha que usar o seu humano para o meu lanchinho. Estou faminta.
 Eu senti um arrepio na espinha. Violet se moveu, ela parecia tão nervosa, que imagino se ela tivesse a chance de arrancar a porta do carro e esmagar a cabeça de Juliet, assim ela o faria.
 Juliet saiu acelerando pela estrada que levava aos arredores da cidade.
_ Temos que fazer algo a respeito _ disse Emily _ Aquela meretriz está tramando algo e não é nada bom. Definitivamente ela vai pagar por aquela ofensa.
_ Por enquanto não podemos fazer nada _ disse Violet _ Mas se for necessário, precisaremos nos unir e fazer estratégias. Sei que você não aprova isso Emily, mas é necessário.
_ Nós deveríamos ir embora sozinhos? _ eu perguntei _ E se ela nos atacar separadamente?
_ Ela não fará nada _ Violet disse _ Ela iria se expor demais, e como ela acabou de chegar ela não iria querer estragar tudo.
_ Ok, então vamos embora _ disse Emily _ Somo os únicos que restaram aqui.
O estacionamento estava vazio. O vento estava zunindo. O céu, para variar, estava nublado e ameaçava derrubar uma chuva pesada. Aparentemente, essa não era a única tempestade que teríamos de enfrentar.
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 Já era noite, Emily e Violet estavam na minha casa. Meus pais me ligaram avisando que estariam aqui na próxima semana, e eu mentira que tudo estava bem, calmo como sempre.
 Discutíamos o que iríamos fazer. Violet contou novamente o que havia escrito no bilhete com maior riqueza de detalhes, mas que não nos forneceu nenhuma informação relevante.
_ Então, o que faremos com Juliet? _ perguntou Emily _ Ateamos fogo, transpassamos o coração com uma estaca, ou outra coisa?
_ Calma aí, Rambo. – eu disse, e ela me olhou com repreensão, enquanto Violet ria discretamente _ Nos não podemos simplesmente fazer alguma coisa sem ter o mínimo de conhecimento sobre isso. E até onde eu sei nem eu, nem você matamos um vampiro alguma vez.
_ Ok. Você está certo. Então, o que faremos?
_ Em síntese, o que Emily falou não está errado _ disse Violet _ Mas, não é tão simples executar isso. Em primeiro lugar, o fogo seria a maneira mais eficiente, mas isso pode chamar mais atenção do que desejamos além de não ser tão fácil assim transformar um vampiro em uma pira. E sobre transpassar o coração, não é tão simples também, já que nossa pele é marmórea, e reforçada na região do coração, justamente para evitar ataques. Então, não podemos usar apena a força, ou, no caso, magia e coisas pontiagudas.
 Já estava escuro lá fora, a torrente de água que despencava do céu fazia muito barulho, acompanhado de trovões e relâmpagos. Emily e eu havíamos pedido pizza, mas eu duvidava que o entregador viesse com essa chuva. Eu percebera que Emily estava bem menos desconfortável com Violet e isso melhorou um pouco meu humor. No entanto, ficamos mirando os respingos de chuva na janela, sem idéia alguma para compartilhar e muito menos alguma decisão efetiva sobre que caminho iríamos tomar em relação à Juliet.
 Então, em meio ao barulho torrencial, ouvimos o barulho da campainha, que parecia distante.
_ Uau, o entregador deve ter vindo _ disse Emily _ Pode deixar que mesma atendo.
 Ela vagarosamente foi até a porta e a abriu. Eu apenas ouvi um grito e pude ver Emily sendo arremessada pela sala e se chocando na parede oposta, derrubando todos os retratos pendurados ali. Ela ficara inconsciente. Violet já havia sacado suas presas enquanto, assustados, íamos para a porta.
 Antes mesmo de alcançarmos a porta, vi a familiar figura loira de Juliet cruzando o portal e se dirigindo até onde Emily estava. O vampiro loiro que atacara Emily estava parado na varanda, e por algum motivo não entrou junto com ela.
 Ela virou o corpo de Emily com os pés, abaixou-se até os ouvidos dela e sussurrou audivelmente:
_ Você não deveria ter se metido comigo, pirralha.
 Ela se virou até ficar de frente pra nós e disse, com um sorriso iluminado no rosto, observando nossas expressões cheias de tensão:
_ Surpresa! O que foi? Não gostaram da minha visita?
E nos deu o seu temível sorriso malicioso.

Capítulo 11 – Spells, scares and surprises


 Ao chegar em casa, peguei meu celular e freneticamente liguei para o número de Emily, que demorou um pouco para atender.
_ Ei Matt, você está vivo ainda? Que bom _ ela atendeu ironicamente.
_ Oi _ eu disse secamente _        Que bom que você está viva também. Fazendo algum ritual nesse final de semana?
 O telefone ficou mudo.
_ O que você quis dizer com isso? _ Emily perguntou com a voz trêmula.
_ Você sabe. Precisamos conversar sobre esse seu “segredo”.
_ Mas o que você sabe sobre isso?
_ Na minha casa. Em quinze minutos. Estou te esperando. _ e desliguei o telefone.
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 Já haviam passado os quinze minutos, eram cerca de quatro horas da tarde. Eu olhava pela janela, até mesmo me esquecera de comer. O carro de Emily surgiu em alta velocidade vindo pela rua estreita. Ela freou bruscamente, estacionando desleixadamente em frente à varanda.
 Abri a porta. Ela estava preocupada, diria até com uma expressão de quem fora acuada.
_ Olá _ ela disse _ Me desculpe, eu devia ter te contado tudo antes.
_ OK. Eu não estou chateado com você, apenas fiquei surpreso. Acho que agora é uma boa hora para esclarecer as coisas.
_ Isso vai ser estranho, mas tudo bem.
_ Sinceramente, diante dos últimos acontecimentos nada mais é estranho _ eu disse, encorajando-a a continuar.
_ Como você já deve suspeitar, isso é uma coisa de família, que passa pelas gerações. Mas há uma alternância, razão pela qual meus pais não sabem de nada.
 Sentamos no sofá. Ela parecia estar nervosa, insegura.
_ Para começar, esse colar que você usa, fui eu que o criei. Além do sangue, é necessário um ritual, para que eu possa saber se você precisa de mim. Os colares são de certa forma conectados.
_ Você poderia ter me contado, mas mesmo assim é engenhoso, agradeço por você se preocupar. _ eu agradeci.
_ James ainda não sabe de nada, tenho medo da reação dele quando descobrir.        A maioria das coisas que se ouve por aí, sobre bruxas, é mito. Em síntese, fazemos alguns feitiços e rituais mas não voamos com vassouras e nem temos verrugas no nariz _ ela riu, como se fosse uma piada pessoal a qual, ou eu não compreendi ou eu não estava no clima para me divertir _ Aposto que foi Violet quem te deu a dica.
_ Bom ela não contou exatamente, eu apenas fiz algumas perguntas e ela respondeu, fazendo as peças se encaixarem.Mas uma coisa me deixou abismado, como vocês reconheceram uma a outra se nem ao menos permanecem muito tempo no mesmo ambiente e nem conversam?
_ Eu não sei ao certo como, mas é como se cada uma de nós, bruxa ou vampira, pudéssemos ver uma a aura da outra, que é única de cada pessoa. Acho que é por causa da aliança que havia entre nós. Não é preciso ser bruxa nem vidente para ver sua falta de surpresa e saber que Violet lhe contou grande parte dessa historia. Os únicos  que ainda tem uma união formal com bruxas são os Anziani. Mas estas não são tão simpáticas como eu, ela tem um pacto de imortalidade, são meio bruxas, meio vampiras, também chamadas de Magjistare. Elas são perigosas e poderosas. Tão antigas quanto alguns Anziani, mas em menor número. Há muitas de nós espalhadas por aí, mas ocultas, com medo de serem atacadas, ou pior, recrutadas pelos Anziani. É claro que não há apenas mulheres no nosso meio, mas os poucos homens que existem , se escondem nas sombras e não participam abertamente do mundo bruxo.
_ Então tudo se relaciona. Mas que tipo de coisas você pode fazer? Presumo que não seja tão fácil, mesmo para você, se livrar de um vampiro_ disse com a curiosidade tomando conta de mim.
_ É difícil explicar, pois nosso poder é amplo e além de grande energia e experiência pode requerer palavras específicas, amuletos e todo esse tipo de coisa. Mas posso fazer uma demonstração.
 Ela fechou os olhos, se concentrando. Repentinamente uma das folhas de papel sobre a mesa de centro levitou, e permaneceu pairando no ar como se estivesse segura por alguma coisa. A folha começou a se dobrar, e formou um boneco de papel. Emily abriu os olhos vidrados e ao proferir algumas palavras, ela ateou fogo no boneco. Uma fumaça arroxeada e pesada se desprendia das chamas. O boneco foi consumido e suas cinzas se acumularam sobre a mesa. Emily saiu do seu aparente transe, se virou satisfeita e disse:
_ E então, o que achou? É obvio que fazer um origami que pega fogo e matar um vampiro são coisas bem diferentes, mas é basicamente o mesmo principio de recitar as palavras se concentrar e tudo mais.
 Eu estava mudo. O que eu acabara de ver se acumulara as coisas inconcebíveis que eu estava vivendo. Uma vida inteira de ceticismo e explicações racionais se dissolvera em questão de alguns dias. Era um furacão que me rodeava, e eu estava bem no centro dele.
_ É... Impressionante. Desde quando você tem essa habilidade?
_ Já faz alguma tempo, desde antes de minha avó morrer. Há 4 ou 5 anos eles começaram a aparecer sutilmente, mas venho aprimorando eles graças aos registros e diários que minha avó deixou para mim.
 Eu me arrumei no sofá, processando a informação que me fora passada.
_ Tem mais alguma coisa absurdamente chocante que eu ainda não saiba? Tipo aliens, tomates assassinos ou algo do gênero? _ perguntei, soando extremamente patético.
Emily gargalhou sonoramente e me respondeu:
_ Bom , não duvido que essas coisas possam existir, com exceção é claro dos tomates assassinos, mas ainda não tomei conhecimento de outras criaturas que permeiam nosso convívio. Eu entendo, não compreendia nada antes também, mas com o tempo você se acostuma a pensar que há mais coisas por aí do que podemos compreender.
_ Você quer alguma coisa? Água, café ou algo do tipo? Eu definitivamente preciso de algo.
_ Eu aceito um copo de água. O impacto não foi tão forte pra mim_ ela sorriu.
Eu me dirigi para a cozinha, para providenciar a água e um pouco de açúcar para mim. Comi um pedaço de chocolate e voltei para a sala levando o copo de Emily. Enquanto voltava para a sala, vi aquele rosto feroz e familiar, o vampiro que atacara Emily, com seus olhos escarlate nos observando pela janela. Eu entrei em choque, o copo escorregou pela minha mão e se estilhaçou no chão. Emily se sobressaltou, mas quando olhou ao redor para ver o que tinha me assustado, o rosto havia desaparecido.
_ O que aconteceu? Você está bem? _ ela correu até mim.
_ Sim, eu só me assustei. O vampiro que te atacou estava nos olhando pela janela _ Eu disse e ela engoliu em seco _ Agora eu preciso limpar tudo isso antes que a gente se corte e o vampiro não resista ao nosso sangue.
_ Não se preocupe com isso, eu resolvo.
 Ela murmurou alguma palavras ininteligíveis e os cacos de vidro começaram a se juntar, o copo ficara intacto como se nada tivesse acontecido e a água havia sumido do chão também.
_ E então, o que achou da sua amiga bruxa? _ ela disse sorrindo.
_ É, acho que eu posso me acostumar com isso. _ eu disse e ambos rimos.
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 Segunda-feira chegou. Sem dúvida este fora o fim de semana mais singular da minha vida. Emily e Violet me contaram seus segredos e eu me vi envolvido em algo muito mais complexo do que eu imaginara e não sabia como manter tudo isso oculto, principalmente quando meus pais voltassem à cidade.
 A escola ignorava toda e qualquer manifestação de surrealidade e tudo estava em um clima tipicamente juvenil. Eu nunca percebera como a vida era pulsante ali, como se cada vida e cada coração se juntassem a um ritmo freqüente e frenético. “Acho que estou ficando tempo demais com Violet e Emily _ pensei.”
 Violet e Emily ainda estavam distantes, mas a união delas não devia demorar a acontecer. James estava avulso aos sinais de agitação entre nós. Mas, logo ele chegou no estacionamento, quase vazio e disse:
_ Ei, como vão as coisas? Emily e Violet ainda não chegaram né? _ ele perguntou sonolento.
_ Ainda não, estou esperando elas. Onde estão suas roupas habituais? _ eu perguntei.
 Eles estava usando uma camiseta azul estilizada, jeans e um tênis, o que não era comum para quem se vestia como ele.
_ Bom, digamos que Emily passou na minha casa sábado e “reformou” o meu guarda-roupa.
 Eu sorri apesar de Emily e James serem um casal perfeito, eles nunca se acertaram sobre o estilo de James. Emily tinha pequenas vitórias periódicas, mas nada como hoje.
 Emily chegou e Violet vinha logo atrás. Quando nos alcançou Emily sorriu e disse:
 _ Muito melhor Jim. Estou orgulhosa de mim mesma _ e soltou outra risada, ele fez uma cara de vencido.
 Violet se aproximou de nós e cumprimentou a todos.
_ E então, você está melhor? _ eu perguntei.
_ Sim, bem melhor. Eu só precisava de um tempo para pensar. Vejo que você e Emily se acertaram também, fico feliz por isso. Agora vamos para a sala ou ficaremos atrasados.
_ Ok.
 E fomos os quatro juntos para a primeira aula, a única que tínhamos todos juntos, a de geografia. Seguíamos pelo corredor abarrotado de alunos.
 Surgiram murmúrios e logo vimos o motivo. Emily se perguntava o que seria. Uma garota loira vinha, com seus cabelos platinados resplandecendo. Ela tinha a mesma beleza pálida de Violet, e olhos de um azul profundo, escuro e devastador. Ela, como Violet, era incrivelmente bonita, como se apenas ela preenchesse o corredor cheio de gente. Ela passou por nós no corredor, nos fitou com seus olhos penetrantes e sorriu sinistra e sedutoramente com um toque irônico nos lábios. Então eu vi o brilho vermelho em seus olhos, que já me era familiar.
 Meu sangue gelou e eu fiquei estático, a voz de Emily se perdeu e ela se retesou, Violet rosnou ao meu lado.
_ Maldita _ ela exclamou ao meu lado, mas ninguém mais ouviu. 

Capítulo 10 - Time for questions


  A luz do sol que passava pelas cortinas nas janelas me acordou. Sonolento, olhei ao redor não reconhecendo o meu quarto. Eu me esquecera que havia adormecido na casa de Violet. Então recordei que adormecera ao seu lado, ouvindo as músicas que ela gostava. Nada havia acontecido, mas me pareceu imprudente fazê-lo, fazendo as advertências de Emily reboavam em minha cabeça.
 Desci as escadas, sendo envolvido pelo cheiro de panquecas recém-preparadas. Na cozinha, pude ver Violet sentada no balcão me esperando enquanto sua empregada fazia as tão maravilhosas panquecas.
 Violet e eu nos cumprimentamos discretamente devido a presença da criada. Quando eu ia abrir a boca pra falar com ela, ela me cortou e disse:
 ­_ Eu imagino que você ache que deveria ter sido acordado na noite passada, mas devo esclarecer que tudo estava tão comodamente perfeito que eu também adormeci ao seu lado. Agora você deve comer alguma coisa, coma essas panquecas enquanto eu vou tomar meu café da manhã, se é que você me entende.
_ Tudo bem _ eu disse sorrindo, por causa da estranha conversa que tivemos _ Eu te espero aqui. E obrigado por tudo.
 Ela sorriu para mim e disparou pela porta correndo sobre a relva úmida da manha, caçando sua refeição.
 As panquecas estavam perfeitas, assim como tudo que ali me fora servido. Após me servir e limpar tudo, a criada se retirou para cuidar do restante da casa. Nenhuma palavra fora dita por ela o que gerou um silencio incômodo. Violet surgiu no portal, me deu um sorriso e disse:
­_ Acho que a hora para as perguntas chegou. Vamos, quero que conheça um lugar.
 Saímos pela porta da frente, e entramos no carro. Violet dirigia por uma estrada pela qual eu nunca havia passado antes, que nos levava para fora da cidade. Chequei meu celular e vi uma mensagem de Emily, perguntando onde eu havia estado, pois de novo eu havia sumido e então ela achou necessário reforçar as advertências em relação a Violet. Respondi a mensagem tranqüilizando-a e desliguei o celular para que nada nos interrompesse.
 Continuamos seguindo por essa estrada por cerca de vinte minutos e estacionamos a um lado da rodovia e seguimos então por um caminho em meio às árvores. Este desembocava em uma praia rochosa, permeada por abetos. Era bonita e tétrica. O mar rugia contras as rochas salpicando água salgada por toda sua extensão.
 Subimos algumas rochas até chegar a um ponto mais alto, com muito vento, porém onde as ondas não nos alcançavam com seus respingos. Sentamos na beirada de uma rocha onde podíamos ver a fúria do mar. Era meio que bucólico, mas agradável, e via-se que Violet se sentia confortável ali, talvez pela praia ser pouco freqüentada, ou pela paisagem ou até mesmo pelo barulho das ondas.
 Então, depois de contemplar tudo isso, ela se virou pra mim e indagou:
 _ Por onde quer começar?
 O vento fazia com que seu cabelo ricocheteasse em seu rosto. Uma luz esparsa, proveniente do sol que lutava para passar pela grossa camada de nuvens. O que me fez lembrar algo.
 ­_ Como você sobrevive no sol? Emily me disse que vocês eram suscetíveis a luz solar.
 _ Há apenas um jeito. Com a ajuda de uma bruxa, que invoca proteção para algum artefato que você possa sempre levar com você sem ser “suspeito”. No meu caso é esse colar _ ela me mostrou um colar delicado, com um pingente de esmeralda, da mesma tonalidade de seus olhos. _ Quando fui transformada há muito tempo, bruxas e vampiros tinham uma aliança, mas agora não há mais isso. Vivemos pela sobrevivência do mais forte.
_ Não me surpreende que existam outras coisas sobrenaturais que fujam a minha compreensão, mas tudo isso é realmente impressionante. Mas me conte mais sobre sua história.
 ­_ Bom, digamos que eu tenha vivido durante ambas as guerras mundiais e que eu tenha visto Roma cair também ­_ ela riu ao ver minha cara de espanto _ Sim, eu tenho mais de 550 anos. Eu tinha apenas 18 quando fui transformada por uma dos vampiros mais antigos, os Anziani, ou Anciões. Os Anziani são os vampiros que existem desde os primórdios das civilizações.
 Durante uma crise, onde o povo passava por dificuldades, eu fazia parte da nobreza decadente, porem antes do casamento que me fora arranjado, a cidade foi sitiada, eu fui seqüestrada e transformada. Fiquei escrava do meu criador por 50 anos até que um dos outros Anziani me libertou e orientou-me a viver sem me tornar uma assassina impiedosa. Desde então, tenho andado por aí, sem um destino certo, até que soube que meu criador, Remus, estava me procurando, para me escravizar novamente, assim como suas outras “criações”.
 _ Confesso que estou sem palavras. Tudo isso não parece real e mesmo assim está por toda a parte e se propagando em minha vida. E por que bruxas e vampiros quebraram as suas alianças ?
_ Bom , algumas foram rompidas por motivos pessoais, mas a grande parte ocorreu pelo fato de que ambos somos inimigos naturais, podendo derrotar um ao outro, o que para humanos não seria fácil em nenhum dos casos. Mas ainda há alianças, principalmente entre os ambiciosos e cruéis.
 _ E ninguém nunca soube nada sobre vocês, ou bruxas, ou nada disso. Emily me disse que o sangue de vocês tem propriedades especiais, quais seriam elas?
_ Há diversos usos, a maioria para rituais, mas também serve para permitir uma conexão com os humanos que nos alimentamos, já que nosso “veneno” corre nas veias dele por um tempo se eles não forem mortos. Então essa conexão existe enquanto o sangue perdurar no sistema da pessoa, que em cerca de um mês ou dois o elimina.
_ Se vocês se alimentaram da pessoa até que ela morra, o que acontece?
_ Nós adquirimos as memórias de cada pessoa. E a mantemos para sempre , como parte de nossa própria memória.
_ Deve ser torturante, principalmente para você que se alimenta de prisioneiros e tem que conviver com as atrocidades que eles cometem.
_ Prefiro manter as atrocidades em minha memória, do que as recordações de uma pessoa inocente, com família, e com um futuro promissor pela frente
_ Acho que você está certa.                
 Miramos o horizonte. A amplidão do oceano fez com que a insegurança e o medo retornassem. Nunca iremos saber tudo o que pode haver lá fora, esperando o momento certo para sair das sombras, e arrastá-lo para dentro dela.
 A umidade enchia nossos pulmões. Eu não percebera exatamente quando isso acontecera, mas Violet estava apoiada no meu ombro, e estávamos de mãos dadas. Olhei para seu rosto marmóreo e viu que a palidez habitual fora quebrada por dois filetes vermelhos escorrendo de seus olhos.
 _ Você está bem? _ perguntei a ela, que compreendeu o porquê _ O que aconteceu com seus olhos?
_ É assim que nós, vampiros, choramos, choramos sangue. Não é muito agradável de ver, mas não posso evitar, tudo isso me deixou nostálgica e me lembrou do que foi tirado de mim.
 Os primeiros pingos de chuva do dia começaram a cair. Provavelmente já era o meio da tarde, mas ambos não sentíamos vontade de ir embora. A chuva batia nas rochas abaixo de nós e o mar estava cada vez mais revolto. A água apagou os traços vermelhos no rosto de Violet. Então decidida ela disse:
_ Vamos embora. Preciso sair daqui.
_ Vamos para minha casa _ eu disse
 Fomos juntos até o carro e de lá para minha casa, sem quase nada ser dito. Ela estacionou.
_ Matt, se você não se importa eu preciso ficar sozinha agora. Muita coisa dentro de mim foi revirada com todas as perguntas. Mas eu te vejo amanhã.
_ Tudo bem. Você tem todo o direito. Precisa de um tempo para você. Mas, posso fazer uma ultima pergunta?
_ Claro. Desde que eu a possa responder.
_ No nosso caminho de volta, estive pensando sobre tudo que você disse e algumas peças se encaixaram em minha cabeça. Emily é uma bruxa?
_ Você pode apostar que é. Até amanhã Matt.

Capítulo 9 - Forever Obsessed, Forever Mine

  Depois daquele dia, tudo começou a parecer mais ameno, em uma falsa ilusão de segurança. Violet e eu estávamos realmente juntos agora, e isso me satisfazia como nada mais. Minha rotina patética, deprimente e soturna se tornou apenas um resquício, cuidadosamente apagada pela presença de Violet. Passávamos a maior parte do tempo juntos, mas ainda não havia chegado a hora para as perguntas que ressoavam dentro de ambas as mentes. Compartilhando a presença e paixão um do outro, conseguíamos a paz, que pelo menos a mim, era escassa desde alguns dias e que sempre seria muito bem-vinda.
 Achei que a convivência com Emily se tornaria um pouco insustentável, mas após alguma resistência e cautela, ela se tornou mais amigável, principalmente com Violet. James, não sabendo de nada, apoiou completamente o relacionamento, mas em segredo, pois ele notara o desagrado de Emily, inicialmente, ao tocar no assunto.
 Na escola, tínhamos que nos separar a maior parte do tempo, já que nosso horário de aulas raramente se cruzava, mas Emily agradecia de certa forma a privacidade que tinha para conversarmos. Ela ainda não confiava plenamente em Violet para conversar abertamente na frente dela.
 _ Desde que você começou a namorar Violet, os outros vampiros não tem aparecido mais _ disse Emily, discretamente _ Eu não sei o motivo disso, mas com certeza eles ainda estão rondando. A reação da minha pedra tem sido bem menos freqüente.
_ Então você admite que de certa forma o meu namoro com ela trouxe alguns benefícios a todos nós, tais como a cessão dos ataques e a calmaria toda _ disse eu, sorrindo de canto para ela.
_ Bela tentativa _ disse ela rindo _ Eu estou muito feliz por você Matt, mas eu fui criada aprendendo a combater vampiros, então tem sido difícil a aceitação. Por favor, tente entender.
_ Eu entendo, mas sua aceitação é importante para mim, então dê uma chance a ela, ela realmente gosta de você.
_ Tudo bem _ disse ela, em um tom de derrota _ Eu vou tentar...
 O sinal da entediante aula de história tocou e nos apressamos para sair logo dali e reencontrar nossos respectivos pares na saída. Apenas pelo fato de vê-la e sentir seus doces lábios fazia com que o vazio com o qual há muito eu me acostumara cessasse como se tudo fosse diferente do que era, ou pelo menos de tudo que tinha ocorrido. De lá fui para minha casa, mas dessa vez sem Violet, pois pela primeira vez em algum tempo Emily e eu nos sentíamos seguros para sair e então iríamos ao Eagle’s Shore. Então fomos, cada um para suas respectivas casas e nos reencontraríamos ao anoitecer.
 Chegando em casa, corri para atender ao telefone. Eram meus pais que agora estavam em Budapeste me avisando que em cerca de um mês viriam passar uns tempos na cidade, em uma espécie de férias. Perguntaram sobre como tudo estava indo e eu, ignorando o fato de que em menos de duas horas iria sair com uma garota que poderia arrancar meu pescoço fora se quisesse, disse que estava tudo bem.
 Como o usual, tomei um banho rápido, me arrumei como de costume, com uma blusa grossa e jeans acompanhadas de um tênis, quase sempre um coturno. Chequei meus e-mails e fiquei esperando James vir me pegar, ele viria junto com Emily e encontraríamos Violet lá.
 Nos encontramos na frente do Eagle’s Shore, ambas as garotas estavam impecavelmente vestidas. Emily, com suas roupas escuras, mas que ainda transpareciam sua força interior e Violet, com um conjunto em tons verdes deslumbrante. Passamos a noite toda conversando, e mal comemos nem bebemos. Violet não comeu nada, e Emily trocou olhares comigo quando ela recusou a comida, esperando que James continuasse na sua paz habitual de espírito e não notasse nada estranho. Mas no geral, ela e Violet se deram muito bem, conversaram mais ate do que o resto do grupo e já estavam achando pontos em comum em ambas as vidas, apesar da de Emily provavelmente ser bem menor do que a de Violet.
 Na volta, Violet me deixou em casa. Seu carro era de longe bem melhor que o meu, então passamos muito rápido pelas arvores no caminho de volta, algo que de certa forma eu lamentava. Paramos em frente a minha casa e nos beijamos. Depois de beijá-la, disse:
 _ Eu estive pensando, e isso soou muito estranho na minha cabeça, como aposto que vai soar agora. Aonde você mora? _ Ela riu _ Sério, em todo esse tempo eu nunca soube aonde você mora.
 _ Como amanhã é sábado, temos todo o dia livre. Então o que você acha de passar o dia na minha casa para variar dessa vez?
 _ Por mim está ótimo. Espero você amanhã por cerca das nove horas. Não vamos querer desperdiçar algumas horas separados. _ Me curvei e dei-lhe outro beijo. _ Então, um breve adeus. Até amanhã.
 _ Eu adoro esse seu entusiasmo, principalmente sem saber o que você vai encontrar, E se eu realmente morar em uma cripta ou mausoléu? _ disse ela rindo, ao ver que eu estava realmente cogitando a idéia. _ Até amanhã.
 E com um último beijo nos despedimos. Subi as escadas, com minha mente flutuando em algum tipo de sonho ou ilusão cuidadosamente como se em um breve movimento brusco ela fosse esvaecer. Deitei em minha cama, olhando o quarto parcialmente arrumado e parcialmente bagunçado e percebi que assim era como minha vida estava. Meio bagunçada. Meio perfeita. E feliz por isso adormeci.
  Acordei com o despertador irritante me chamando para mais um dia cheio. Olhei pela janela e vi que o dia estava tão tétrico como no dia anterior. Exatamente da forma com eu gostava. Coloquei uma roupa mais leve dessa vez, um suéter cinza, pois apesar do tempo fechado a umidade trazia um calor levemente sufocante sobre nós. Tomei apenas um copo de leite com alguns cereais, que foi apenas o que a ansiedade permitiu. O grande relógio brilhante perto da televisão só fazia aumentar a minha tensão, mostrando que ainda faltavam alguns minutos para Violet aparecer, ela era extremamente pontual. Ouvi o carro parando na frente da casa, peguei uma blusa e já fui para a porta encontrando, sem surpresa alguma Violet me esperando lá, apoiada na parede. Nos cumprimentamos devidamente e entramos no carro. Ela dirigia em grande velocidade, mas perfeitamente segura do que estava fazendo.
 _ E então, para onde estamos indo? _ perguntei deixando minha curiosidade aflorar
 _ Não muito longe, a casa fica perto dos limites da cidade. Mas você já deve tê-la visto. É o antigo solar dos Rosewood. Como eles não tinham nenhum herdeiro, a casa foi colocada à venda e eu a comprei. Então a reformei e me mudei pra cá, juntamente com uma funcionária que cuida da casa, a qual tem seu nome na escritura para que a casa não seja invadida por qualquer vampiro que não seja bem-vindo.
 _ Entendi. Faz muito tempo que não passo por aquela casa, desde minha infância imagino.
 Nos calamos e apenas ficamos observando a estrada e ouvindo uma música que ambos gostávamos no rádio. O espaço entre uma casa e outra começava a aumentar, nos certificando de que já estávamos chegando ao perímetro da cidade. As casas ali eram de certa forma espaçadas, como se fossem as típicas propriedades rurais isoladas retratadas nos filmes.
 De certa distância pude ver a casa imponente se aproximando. Era branca com alguns detalhes em azul, composta por dois enormes andares, com grandes janelas envidraçadas. Tinha uma bela varanda e um grande espaço em volta, ocupado por um jardim meticulosamente cuidado, com diversas espécies de flores e árvores frutíferas. Era a casa mais perfeita que eu já vira.
 Ela estacionou o carro em uma vaga reservada próxima a varanda. Subindo as escadas chegamos a uma grande porta de madeira ricamente entalhada, então a criada apareceu para nos receber. Por dentro a casa era quase o oposto do que se via lá fora, esbanjando modernidade por todos os cantos, mas ainda conservando um estilo encantadoramente barroco. Pensei, e percebi onde mais uma garota como essa poderia morar.
 Violet me mostrou toda a casa, começando pela sala com a belíssima lareira, até o seu quarto localizado no segundo andar, ocupando grande parte deste. Tudo continha extremo bom gosto. O tempo voou enquanto permanecíamos naquela casa suntuosa, especialmente porque estava com ela. No horário do almoço, a criada nos propiciou um almoço incrível, mas como sempre Violet nem tocou na comida, deixando pra mim o ato de degustar todo aquele banquete.
 A noite caiu e nenhum de nós estava propenso a se despedir, apesar de eu estar cansado por andar por toda a propriedade, provando diversas frutas no jardim e conhecendo cada canto da casa, incluindo porão e sótão. Eram mais de nove horas quando subimos para o quarto dela, após o jantar, semelhante ao banquete que fora o almoço. O quarto refletia a personalidade dela, era extremamente feminino, mas impunha uma presença forte. Enquanto ouvia o tipo de musica que ela gostava, ficamos deitados em sua cama, olhando o teto, sentindo o que a música nos dizia, até que perguntei a ela:
 _ Vampiros precisam dormir?
 _ Dormir exatamente não, pois tiramos nossa energia do nosso alimento. Mas podemos dormir e sonhar se assim quisermos.
 _ Interessante _ disse, tendo minhas palavras permeadas por um bocejo.
  Continuamos ali, sentindo um a mão do outro até que eu não pude ver mais o teto diante dos meus olhos, mas mesmo em meus sonhos podia vê-la e senti-la, impressionantemente bela e apaixonada. A minha obsessão. Para sempre.